Cinema

Perdida (série da Netflix)

Feriadão prolongado e inesperado aqui em São Bernardo e me senti no dever moral de contribuir com umas dicas para você não sair de casa. Vamos lá!

Alerta: contém spoiler pra caramba!

A primeira temporada da série espanhola “Perdida” estreou esta semana na Netflix. Segundo o Jornal Correio Brasiliense, é “uma surpresa a cada episódio. Série Perdida, na Netflix, é diversão certa para fãs de suspense”.

Com seus onze longos capítulos cheios de obviedades e de personagens estereotipados, a série (espanhola na origem, mas com DNA de dramalhão mexicano) é tão previsível que te faz querer assistir só pra se certificar que aquilo que você acha que vai acontecer, acontecerá realmente. E acontece!

Então não se preocupe com os spoilers aqui, já que a série toda é um spoiler de si mesma – da primeira cena do capítulo 1 à última cena do décimo primeiro capítulo, está tudo tão traçadinho que é possível, em determinados momentos, até reproduzir com certa antecedência algumas falas das personagens.

Fazendo uma parte, essa coisa de se antecipar às falas previsíveis das personagens é bem irritante, eu sei, mas é um vício que admito possuir e é particularmente prazeroso quando se assiste em ambiente compartilhado, especialmente em cinemas, em que a relativa escuridão favorece o pecado sem a identificação do pecador.

Mas voltemos ao objetivo deste texto, que é estragar sua vontade de assistir a série. Ou não…

Se bem que para a geração que cresceu na cultura do Vale a Pena Ver de Novo e das revistas de novelas, spoilers só aumentam o desejo de assistir (se você não faz parte dessa geração, pare por aqui. Vou até pular umas linhas pra te ajudar).

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O fato é que a série faz jus ao nome. Está todo mundo perdido: atores, telespectadores e, principalmente, os roteiristas. E o que é fundamental: ninguém se encontra.

Uma das atrizes interpreta uma atriz ruim, que só consegue papéis em seriados por conta do marido mafioso. Já colocou um espelho em frente ao outro? Então… Ela deve ter interpretado a si mesma… Nem é bom falar muito, porque não sei como ela conseguiu o  papel na série.

Brincadeira: tem que ser muito boa para parecer ruim. Ou ser mesmo ruim…

O que todo mundo sabe é que essa coisa de colocar uma série dentro de outra é um recurso para ocupar o tempo. Estou certo ou não?

Mas tem muito mais!

Tem uma defensora pública que faz uso de métodos inusitados para alcançar a justiça, tem personagens que do nada desaparecem do meio da história (devo ter dormido e perdido alguma parte). Tem um guarda-costas que (como naquele famoso filme, com aquele famoso ator, daquela famosa produtora) se envolve afetivamente com a protegida. Tem tiro, porrada e bomba… E sangue, bastante sangue e olho roxo em meio a músicas melosas intercaladas com choros forçados.

Chega a ser fascinante!

A história começa na Espanha e se desenvolve na Colômbia e apesar das claras referências a este país, o enredo e as performances dos atores inevitavelmente vão lhe remeter ao México.  Não se deixe perder por este pequeno incidente geográfico…

Até mesmo porque, considerando critérios adotados pelo General Pazuello, Colômbia e México seriam países vizinhos.

Alerta: Se você ainda está lendo e não quer saber mais, pare por aqui. Agora sim vem spoiler da pesada. Vou pular mais três linhas pra você ter tempo de avaliar se continua lendo.

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Mentira! Já pulei linhas demais…

A coisa é a seguinte: um casal tem uma filha de 05 anos sequestrada a mando de um casal de mafiosos que tiveram uma filha vendida, quando recém-nascida. Logo se descobre que na verdade eles sequestraram a própria filha que o casal havia adotado ilegalmente.

Maior zona!

A filha biológica, já com 18 anos, descobre que os pais com quem convive a sequestraram quando criança e quer conhecer os pais que ela acredita que são biológicos, sem saber que convive com os pais biológicos já.

Ou pelo menos pensa que são também, porque a esta altura já se sabe que não é bem assim… Afinal, diz o ditado que o diabo mora nos detalhes e, em se tratando de “Perdida”, os detalhes saltam como mãos estapeando os rostos. Inevitável não perceber.

O casal que teve a filha sequestrada (e que a adotou ilegalmente) faz de tudo para reencontrar a menina (já moça). Rola até uma prisão por tráfico de drogas, autoempreendida para que o pai, na penitenciária onde estava o sequestrador, descubra o paradeiro da filha.

Quem nunca? Prison Break já havia dado a linha, e antes dela outros mais. Era só seguir o fio e repetir a dose…

No fim, o pai traficante morre, o pai que teve a filha sequestrada e que foi preso para descobrir seu paradeiro é extraditado para a Espanha, para cumprir a pena lá, e a filha descobre que o homem que a sequestrou para o mafioso é, na verdade, o seu verdadeiro pai, que tinha um romance de juventude com a péssima atriz, esposa do pai mafioso.

A menina fica órfã de um pai e ganha outros dois  – presidiários – e de quebra faz as pazes entre as duas mães.

Tudo acaba maravilhosamente bem, na mais completa desgraça. E o que é pior: tem brecha para a segunda temporada.

Veredicto: aguardando ansiosamente as cenas dos próximos capítulos!

*

PS: Brincadeiras à parte, a atriz que interpreta uma atriz ruim é ninguém menos que Ana María Orozco, da novela colombiana “Betty, a Feia”, vencedora de importantes prêmios  da televisão e do cinema na categoria Melhor Atriz Internacional 😉

                                                                                                                                                         [M.S.]

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