“Os Subterrâneos da liberdade 1: os ásperos tempos”, de Jorge Amado

Nota da Pedra Lascada  Por meio da constituição de personagens marcantes e de uma narrativa fluente – aliás, esta sendo certamente uma das características do autor -, Jorge Amado recria o período histórico denominado Estado Novo. Para ilustrar, em lembrança ao Dia do Trabalhador e ao contexto sindical – mundialmente falando, claro, claro! – não encontro nada mais significativo do que os trechos a seguir. Boa leitura e, se possível, leia o Romance todo!

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“Lucas aproximou o rosto, Eusébio disse:

– Alto funcionário do Ministério do Trabalho. Sou um dos encarregados da questão sindical. E preciso de gente boa para ajudar. Homens de coragem e decididos, capazes de enfrentar e liquidar os comunistas nos sindicatos. Compreende? Precisamos de dirigentes sindicais, de funcionários do ministério que tomem conta dos sindicatos e façam deles traqnuilas associações de trabalhadores em vez de ninhos de agitação social. Se você quiser vir trabalhar comigo…

– É claro que quero. Um conto de réis, você disse?

– Pra começar, meu caro. E, se você se mostar correto, eu lhe ensino como se pode ganhar muito mais. – Baixava a voz: – Há os institutos dos Industriários, dos Comerciários, a Caixa da Aposentadoria e Pensões… Mamatas, meu velho, cada mamata que é só deixar o leite escorrer…” [p.101].

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“Trabalhando desde 1930 no ministério, agindo nos sindicatos, Eusébio se tornara um técnico daquilo que chamavam nos meios governamentais a ‘política trabalhista’. Viera a São Paulo com importante missão: devia preparar o terreno para a visita de Vargas, alguns dias depois do golpe, ao centro da oposição ao seu governo. Essa visita devia ser realizada a convite dos trabalhadores e culminar numa grandiosa manifestação ao ditador que pronunciaria então um discurso fixando os rumos da política social do novo regime, a “conciliação de classes”, a harmonia entre o capital e o trabalho. Essa manifestação seria uma advertência aos políticos inimigos do regime, serviria para ampliar a base social do governo, golpearia também a agitação comunista.

Mesmo antes do golpe, Eusébio vivia numa atividade febril, entrevistando-se com personalidades da polícia, com integralistas, com os agentes do ministério no seio dos sindicatos, mantendo ligações com proprietários de fábrica e com os americanos da Ligth. A emissão radiofônica, nessa primeira noite do novo regime, deveria lançar a ideia da manifestação. Falariam aos “representantes” das classes trabalhadoras dando seu apoio ao Estado Novo e convidando Getúlio a visitar São Paulo para receber a prova da sua solidariedade. Lucas falaria pelos comerciários, um ex-empregado de uma fábrica têxtil, espião durante uma greve e atual investigador da polícia, pelos têxteis, agentes ministeriais por outros ramos de indústrias.

Lucas soubera nesses poucos dias torna-se indispensável a Eusébio Lima. Não fora ele quem resolvera a maior dificuldade da manifestação projetada? O temor de Eusébio era que os operários não comparecessem. Com os americanos e com os patrões de diversas empresas acertara já a paralisação dos trabalhos no dia da manifestação , e contava com os integralistas, os investigadores de polícia, os funcionários do ministério para fazer número, para dirigir os aplausos, para gritar: “Viva Getúlio!”. Mas, se os trabalhadores, no inesperado feriado, em vez de irem à manifestação fossem descansar em suas casas? A manifestação pouco significaria, pouco resultado político teria, se os trabalhadores não comparecessem. Foi Lucas quem sugeriu:

– E se a gente fizer a coisa num estádio de futebol, com uma boa partida entre dois clubes populares, após os discursos? Vai encher completamente, todo mundo irá para assistir à partida de futebol…

– Isso é uma ideia-mãe. Um time do Rio, outro de São Paulo. Seu Lucas, você deu com a coisa… – E Eusébio Lima acrescentou, num entusiasmo: – Vou lhe recomendar pessoalmente ao doutor Getúlio. Você vai longe…

Quando finalmente terminou o seu discurso, Lucas o leu em voz alta. Manuela voltara e, sentada numa cadeira, escutava o irmão, uma admirativa ternura no olhar. Quando ele concluiu, ela lhe perguntou:

– Ele é mesmo bom assim, esse Getúlio Vargas? Merece tanto elogio?

– Bom ou ruim eu sei lá… O que sei é que com ele eu vou subir. Agora, Manuela, ele manda sozinho, faz o que quer e o que bem entende, compreende? E Eusébio me prometeu que ia me recomendar a ele pessoalmente… Ou tu pensas que eu vou querer ficar nesse conto e réis por mês no ministério…” [pp. 133, 134]

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Fonte: Os subterrâneos da liberdade: os ásperos tempos. – São Paulo: Companhia das letras, 2011.

Sobre assembleias, agressões e perspectivas…

Nota da Pedra Lascada: Posteriormente, será publicado o texto completo, contextualizando a situação. Pelo momento, considero urgente fazer algumas ponderações a respeito do ocorrido na assembleia convocada pela diretoria do Sindserv/SBC, ao dia 30 de maio de 2013 (diga-se de passagem, convocação contestável, porque o Artigo 30 do Estatuto do sindicato estabelece que as assembleias extraordinárias sejam convocadas com antecedência de 48 horas, o que não aconteceu).[M.S]

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Infelizmente, vivemos num país cuja cultura autoritária ainda é bem marcante, quiçá predominante. Veja o caso da ditadura militar: entre a instauração e o seu fim agonizante, foram precisos 21 anos sob torturas, mortes, assassinatos e perseguições de tudo quanto é tipo, 21 anos! 21 anos de resistência! E, ainda assim, a cultura é muito forte… Está impregnada na prática institucional e nas mentes de muita gente. Com a diretoria do nosso sindicato não é diferente. A violência que praticaram foi gravíssima – não pelos apertões, chutes, empurrões, agressões verbais e físicas… Foi grave porque atenta contra a democracia, contra o direito inalienável à livre expressão, contra a própria organização sindical. Não foram um ou dois, três ou quatro que me agrediram, embora tenham uns três ou quatro pessoalmente se exaltado, em vias de me derrubar do caminhão de som… Foi toda a diretoria do sindicato, pela ação e pela omissão; afinal, a agressão física objetivou impedir o nosso exercício democrático à expressão, e como disse o presidente do sindicato, em alto e bom som: não deixar os trabalhadores falarem foi uma decisão da diretoria. Decisão esta respaldada legalmente pelo quê? Pelo estatuto do sindicato que não é! Pela Constituição Federal muito menos! Talvez pelo Ato Institucional nº 05… Mas este, eles esquecem que já não vigora mais… Enquanto estava lá sendo ameaçado, empurrado, prensado contra as grades do caminhão, o presidente do sindicato se fez de cego e surdo, se omitiu e continuou a assembleia, como se nada tivesse acontecendo, impôs a votação e autoritariamente impediu que nós, funcionários públicos, manifestássemos a nossa opinião. É, pois, responsabilidade de toda diretoria, coletiva e individualmente, porque eles agiram de forma premeditada e organizadamente, usando de todos os meios – inclusive da agressão física – para impedir a nossa manifestação. Sendo assim, torno público que se as ameaças contra a minha integridade física (efetuadas por um dos diretores do sindicato) se concretizarem, responsabilizo a toda a diretoria do sindicato.. Não bastasse tudo isso, a diretoria continua utilizando os meios de comunicação do sindicato para caluniar os trabalhadores, para tentar jogarmo-nos uns contra os outros, como se estivéssemos contra aumento para os celetistas, e como se estivéssemos brigando somente porque não teríamos sido “contemplados” na proposta. É um acinte o que fazem! É calunioso, porque impediram que manifestássemos nossas opiniões, e agora usam dos meios que nós mesmos financiamos para tentar colocar palavras em nossas bocas!!! E ainda tivemos de ouvir: “Isso é democracia”. E depois de tudo, o mais irônico foi ouvir de um diretor do sindicato: “Meu querido diretor, eu te respeito muito”… Vê-se por aí como a síndrome do micropoder afeta as mentes alucinadas de certas pessoas. Se já não se dão ao respeito, por que ter a esperança que entendam que respeito é uma coisa, truculência é outra? Depois, ainda fingem se ofender quando os trabalhadores, em coro, os chamam de vendidos… Deveriam ter um mínimo de vergonha e, pelo menos, pararem com a hipocrisia.

Quanto ao sindicato, insisto: uma coisa é a diretoria, outra coisa é a instituição. Não é o sindicato que não nos representa; quem não nos representa é a diretoria do sindicato! Com isto quero dizer que a única forma de impedir que continuem falando em nosso nome, não é nos afastando, é justamente o contrário: é ocupando os espaços de participação. A diretoria não deixará de agir autoritariamente porque as pessoas estão se afastando, se desfiliando etc… Pelo contrário, os espaços vazios que vamos deixando são ocupados cada vez mais pelos oportunistas e pelos autoritários de plantão. O fato de as pessoas fecharem os olhos, não ir às assembleias e esquecer que eles existem, não os fará deixar de existir enquanto dirigentes (maus dirigentes) sindicais, não os fará deixar de se fechar em gabinetes com os governos de plantão e fazer os acordos contra os trabalhadores… Além do mais, quem esteve na assembleia pode perceber que a indignação não é exclusividade dos profissionais da educação, pois é compartilhada pelos funcionários públicos de todos os setores, sem distinção! Não foi a educação apenas que mais uma vez está sendo prejudicada e traída, foram todos os trabalhadores públicos municipais de São Bernardo do Campo.

Somente a nossa união pode por um fim no autoritarismo e no peleguismo da direção sindical, somente a nossa união pode fazer do nosso sindicato uma organização forte, legítima, representativa, que nos represente de direito e, principalmente, DE FATO!

Por isso, àqueles que, no calor do momento, na manifestação justa de sua indignação, manifestam o desejo de construir outro sindicato, ou de se desfiliar, ou de deixar de participar do sindicato, eu insisto: a indignação é legítima e necessária, e precisamos sim nos organizar para combater o autoritarismo, o burocratismo e o peleguismo da direção sindical, porque essa diretoria está prejudicando todo o funcionalismo público municipal e, por tabela, toda a população, pois somos nós que no exercício de nossas funções garantimos a efetivação dos direitos da população. É preciso sim construir novos canais de participação, e sobretudo, mais do que nunca, ocupar os canais existentes, exigir a efetivação dos canais de participação. O esvaziamento e a ausência pode até nos evitar o desprazer de ter que lidar com a triste realidade de que, em pleno século XXI, ainda existem seres humanos truculentos e afeitos ao autoritarismo de toda ordem, seres humanos que colocam seus projetos pessoais acima de todos e contra o coletivo… Mas, por outro lado (o lado mais cruel), o esvaziamento e a ausência colabora com a perpetuação desse tipo de sindicalismo – patronal, pelego, burocrático e autoritário.

UNIDADE NA LUTA, mas não a qualquer preço!

A Comissão de Educação faz um alerta: a diretoria do Sindicato cede ao Governo e, contrariando as deliberações da categoria exclui a Comissão das Negociações do Estatuto!


E, fez isso sem qualquer consulta aos membros da Comissão, sequer comunicou o fato, simplesmente publicou no site e no jornal. É preciso deixar claro que a Comissão não abriu mão do seu papel de representar os trabalhadores na Mesa de Negociação! A COMISSÃO FOI EXCLUÍDA POR UMA ATITUDE AUTORITÁRIA DA DIRETORIA DO SINDSERV!

Para tomar esta decisão a diretoria tentou preparar o terreno com duas ações: 1. chamou uma votação para tentar garantir o plano do Governo, já que a votação chamada pela SE não deu resultados e, 2. começou uma campanha intensiva que nas entrelinhas dizia que a Comissão não sabia negociar, que não cedia. Queremos aqui afirmar que não cedemos mesmo! Que nosso papel na mesa de negociação é argumentar em defesa do texto aprovado no Congresso dos Trabalhadores, somente os trabalhadores da educação reunidos em assembleia podem fazer concessões ou não. Por isso reafirmamos que é melhor ser intransigente do que baixar a cabeça para o governo! A COMISSÃO CONTINUA ORGANIZADA NA DEFESA DAS DELIBERAÇÕES DO CONGRESSO, CONTINUA ENGAJADA NA LUTA PELOS NOSSOS DIREITOS!

A tentativa de desmoralizar a Comissão é uma das formas para a diretoria tentar aprovar o Estatuto do governo. Eles buscam dividir a categoria tentando colocar os profissionais do magistério contra os demais profissionais da educação. Por fim, temos que ficar atentos pois eles podem realizar assembleias esvaziadas, marcando-as para dias e horários que dificultem a participação do setor da educação. A diretoria pode pautar o Estatuto em uma assembleia geral, sem anunciar isto de antemão.

ALERTAMOS: NÃO DEIXE DE COMPARECER A TODAS AS ASSEMBLEIAS
e estar ao lado da Comissão na luta pela aprovação do Estatuto aprovado no Congresso.

Contatos pelo e-mail: membros.cse@gmail.com

Veja também nosso blog: http://alertaeducacao.wordpress.com/

Informe Urgente dos Membros da Comissão Setorial da Educação

UNIDADE NA LUTA

MAS NÃO A QUALQUER PREÇO

Relembrando os acontecimentos

No último período os rumos da negociação do Estatuto dos Profissionais da Educação de São Bernardo ficaram nebulosos. Primeiro o Governo fez linha dura se apoiando na lei eleitoral. Após a pressão da categoria, voltou atrás e montou uma Mesa de Negociação que na prática discutiu pontos não polêmicos; nos esforçamos para avançar nas discussões para tentar chegar aos pontos que seriam mais difíceis de negociar, principalmente a carreira. Nesses meses a Comissão de Educação discutiu com a direção do Sindicato a necessidade de assembleias para os pontos já discutidos. Essa assembleia foi acordada com os Representantes e estava prevista para acontecer antes do 1º turno das eleições municipais, no entanto, a diretoria do Sindicato de forma unilateral desmarcou a assembleia. Essa atitude já demonstrava que esta diretoria não respeitava as decisões de outras instâncias como os Representantes e a Comissão. A atitude, porém, denunciava também que a diretoria intencionava preservar o Governo e garantir a reeleição de Marinho. Depois da eleição municipal ocorreram algumas assembleias que apreciaram pontos já discutidos na Mesa de Negociação; em uma delas votamos a campanha Fora Cleuza! como forma de exigir melhorias na educação e respeito aos trabalhadores. Garantida a vitória, inicia-se uma série de atitudes antidemocráticas por parte do Governo. A Secretária de Educação, até então ausente na Mesa de Negociação, chama a categoria ao CENFORPE para apresentar suas intenções e depois para apresentar outro texto de Estatuto. Essa atitude desrespeitou a Mesa de Negociação porque apresentou uma contraproposta que não havia sido discutida, além de desconsiderar o espaço sindical de mediar as negociações junto aos trabalhadores. Vale lembrar que a contraproposta apresentada não contemplou artigos já aprovados anteriormente na Mesa de Negociação, ou seja, o Governo desrespeitou pontos já acordados, consignados em ata e aprovados em assembleia.

Coincidência ou não por essa época o site do Sindicato saiu do ar, retornando somente em 2013, todo repaginado e… excluídos os documentos e pesquisas elaborados pelos trabalhadores ao longo de mais de dois anos de discussão do Estatuto! A diretoria do SINDSERV simplesmente apagou do site qualquer resquício do registro do processo histórico construído pelos profissionais da educação e todos os documentos oficiais a ele inerentes. O órgão de representação simplesmente apagou a história de luta dos trabalhadores.

De votação em votação…

O auge do desrespeito do governo ao processo democrático construído pelos trabalhadores para elaborar a proposta do Estatuto foi a votação chamada pela Secretária. Uma votação que além de descabida por si só, ainda tentou obter respaldo para uma contraproposta que excluía profissionais, que impunha uma sobrecarga ao magistério e apresentava uma carreira que não valorizava o trabalhador e a educação. Os trabalhadores responderam à altura, seja não comparecendo para votar, seja dizendo NÃO à contraproposta. A Comissão esteve presente no CENFORPE para se posicionar ao lado dos trabalhadores e durante os dias da votação percorreu os locais para fiscalizar e distribuir panfletos esclarecendo alguns pontos bastante ruins que estavam na contraproposta.

A diretoria do Sindicato se absteve e na sequência, sem qualquer consulta às demais instâncias, anunciou que faria nova consulta. A Comissão enviou uma carta à diretoria solicitando uma reunião para discutir esse e outros encaminhamentos, mas não teve retorno até o momento, e produziu novo boletim de esclarecimentos à categoria. A consulta foi antecedida de uma cartilha com informações duvidosas, pois apresentava um suposto panorama histórico claramente distorcido, e afirmações confusas e equivocadas a respeito do próprio Estatuto em vigência e das propostas em debate. A diretoria dizia ter estudado o Estatuto atual, a proposta votada no Congresso e a contraproposta do Governo, todavia afirmava a existência de pontos polêmicos que justificavam a consulta. Quais eram as polêmicas? A primeira apontada referia-se aos trabalhadores que deveriam estar contemplados no Estatuto, questionando se este deveria ser somente para o magistério ou não. Bem, a diretoria precisa estudar melhor os textos, pois nenhum deles abrange somente profissionais do magistério! Este tema foi pautado e superado já em uma das primeiras assembleias ocorridas sobre o Estatuto, antes mesmo de instalarem oficialmente os espaços de discussão com a SE. Com essa questão a diretoria passa por cima de deliberações de uma assembleia! Mais dois pontos suscitados – professor substituto e professor de educação especial – também foram colocados de forma equivocada. A rede afirmou por diversas vezes que quer a permanência do cargo de professor substituto, a questão a ser detalhada é como será a distribuição desse cargo na rede. Com relação ao professor de educação especial a rede também não tem dúvidas: a especialização que o professor de educação básica pode fazer contribui para seu trabalho em sala de aula, mas não substitui o professor especializado! Assim, nos perguntamos: onde há polêmica? Pois bem, para que a diretoria entendesse o que já vem sendo dito ao longo dos últimos dois anos a categoria novamente votou e reafirmou seus anseios para o novo Estatuto.

É preciso dizer, no entanto, que com a realização desta consulta, a diretoria do SINDSERV colocou em dúvida as decisões dos trabalhadores, mostrando-se assim hesitante e despreparada para defender uma proposta construída coletivamente. Mais do que isso, de maneira irresponsável, a consulta organizada pela diretoria  serviu para colocar novamente em pauta a contraproposta da administração, que foi derrotada pelos trabalhadores em todas as assembleias realizadas e na consulta ilegítima realizada pela Secretaria de Educação. Em outras palavras, a diretoria legitimou a ação autoritária da administração. Além disso, tal consulta realizada pela diretoria foi no mínimo estranha: realizada em único dia, com cédulas distribuídas aleatoriamente e sem controle, com perguntas confusas, e claro, sem controle direto dos trabalhadores. Até hoje tem escola que está com os votos e a ata de votação que nenhum diretor sindical voltou para buscar, ou seja, como confiar nos números apresentados? Mesmo com essa falta de controle os resultados divulgados não poderiam ser diferentes do que reafirmar as deliberações do Congresso.

Uma diretoria distante da base, mas bem próxima do …

Desde o início desta gestão, a diretoria do SINDSERV tem adotado uma postura cada vez mais burocratizada, autoritária e de desrespeito com os trabalhadores, inclusive fazendo uso dos meios de comunicação do Sindicato para colocar em dúvida as decisões dos trabalhadores, para acusar de irresponsabilidade aqueles que expressam suas críticas e para tecer insinuações desrespeitosas contra os que ousam questionar a burocratização sindical e o aparelhamento do Sindicato por parte do governo municipal. Como forma de censurar as opiniões contrárias, a diretoria tem usado mecanismos de exclusão principalmente das mídias sindicais. Assim, as fotos existentes no site referente ao processo de discussão da proposta do Estatuto, não eram as que mostravam alguns membros da Comissão, alguns trabalhadores foram bloqueados no perfil do SINDSERV em redes sociais, chegando ao absurdo de expulsarem uma funcionária da sede do Sindicato.

Estas ações têm se configurado numa estratégia política que parece ter como objetivos: desmotivar a participação nos fóruns de decisão coletiva (assembleias, reuniões etc) e assim afastar os trabalhadores do próprio sindicato; tentar desmoralizar todos os profissionais que demonstram autonomia de pensamento, espírito crítico e disposição para defender os interesses do conjunto dos trabalhadores. Com um sindicato esvaziado e sem ninguém para questionar seus desmandos, a diretoria acaba se perpetuando e reforçando tomadas de decisões de forma unilateral em nome da categoria, contudo, à revelia dos interesses do conjunto dos trabalhadores.

Nos últimos boletins do Sindicato, a diretoria anuncia que fez um acordo com o governo para negociar o Estatuto dos Profissionais da Educação na Mesa de Negociação Permanente. Trata-se de uma manobra sorrateira para tentar excluir os membros da Comissão da negociação do Estatuto e, com isso, passar mais uma vez por cima de decisões de assembleias.

Cumpre lembrar que os trabalhadores, reunidos em assembleias, elegeram os membros da Comissão, delegaram a tarefa de organizar e coordenar o processo de construção da proposta de Estatuto e, ainda, determinaram a participação da Comissão – constituída por trabalhadores da base – na mesa de negociação.

Em nota publicada no site do SINDSERV no dia 03 de abril de 2013, a diretoria do SINDSERV afirma que o processo de decisão foi atrasado e interrompido por “dois ou três que decidiram transformar a mesa de negociação em um palco de enfrentamentos político-partidários”. Queremos crer que, com tal afirmação, a diretoria esteja se referindo aos membros da administração que – estes sim – estavam na mesa representando um governo sob a égide de um partido que, aliás, vem implantando uma política de desvalorização do funcionalismo público e de terceirizações que tem prejudicado a qualidade do serviço público, especialmente no que diz respeito à educação. De fato, foi o governo que atrasou a instauração da mesa de negociação e, uma vez esta instaurada, foram os representantes do governo que retomavam pontos já superados para atrasar as discussões e, ainda foram “dois ou três” que, em nome do governo, romperam com a negociação no dia seguinte às eleições, quando anunciaram que a SE iria apresentar a contraproposta diretamente à categoria.

Os membros da Comissão durante todas as reuniões da mesa de negociação mantiveram, responsavelmente, uma postura firme e argumentaram de forma consistente a favor das propostas elaboradas coletivamente; não hesitaram em denunciar os perigos da contraproposta da administração; não se calaram, nem fugiram ao debate, porque esta deve ser a postura de quem se propõe a representar e a defender uma proposta coletiva.

Já a diretoria, além de não titubear em publicar insinuações dúbias com vistas a criar desconfianças generalizadas, agiu de forma autoritária para excluir a Comissão da mesa de negociação e aceitou discutir o Estatuto com o governo às portas fechadas. Arrogando-se de “responsável”, afirma aos quatro ventos que em uma negociação ambos os lados têm de ceder. Obviamente negociar não é impor, contudo, a diretoria, limitada pela sua visão burocrática e autoritária, demonstrando a todo o momento desconfiança e hesitação em relação às decisões dos trabalhadores, parece não compreender que o papel dos representantes não é ceder, é REPRESENTAR E DEFENDER a proposta dos trabalhadores. A decisão de ceder ou não, cabe à assembleia dos trabalhadores.

O compromisso e a responsabilidade dos representantes dos trabalhadores deve ser com os trabalhadores e com a qualidade do serviço público municipal, da educação, e não com o governo de plantão.

Por tudo isso, afirmamos categoricamente que as ações da diretoria demonstram não somente despreparo e falta de competência para defender a proposta de Estatuto construída pelo coletivo dos profissionais da educação, como também demonstra claramente a sua imaturidade, a sua irresponsabilidade enquanto direção sindical e o seu descompromisso com o conjunto dos trabalhadores.

É fundamental que se retome as reuniões com representantes; que sejam chamadas assembleias específicas da educação e que suas decisões sejam respeitadas e implementadas; que todos os documentos, pesquisas, textos, ofícios, fotos e artigos referentes ao processo de construção do Estatuto dos Profissionais da Educação sejam novamente disponibilizados no site do SINDSERV, sem limitação ou impedimento de acesso a nenhum profissional da educação; e que a Comissão participe da negociação.

PELA RETOMADA DO PROCESSO DEMOCRÁTICO!

PELO RESPEITO ÀS INSTÂNCIAS E FÓRUNS DE PARTICIPAÇÃO!

EM DEFESA DO ESTATUTO DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO CONSTRUIDO E APROVADO PELOS TRABALHADORES NO CONGRESSO!

 

Nenhum trabalhador fora! Nenhum direito a menos!

 

Contatos pelo e-mail membros.cse@gmail.com

ou pelo blog www.http://alertaeducacao.wordpress.com