Desde o dia 27 de Março os funcionários públicos de São Bernardo do Campo estão em greve, em sua maioria professoras e professores. Mas vocês sabiam que ao contrário do que pensam alguns, inclusive o prefeito da cidade, não gostamos de estar? Não gostamos de estar longe das nossas crianças, dos espaços de nossas escolas e dos nossos projetos. Ao contrário! Sabemos bem do papel que desempenhamos na sociedade e lidamos com sentimentos de culpa e frustração diariamente. Eu por exemplo, gostaria de estar fazendo tinta com o Urucum que deixamos secar, ele deve estar perfeito agora. Seria uma delícia escorregar no morro e ler história embaixo da sombra da árvore no gramado. Sem contar o calendário de abril que ainda não foi feito… Talvez o casulo já esteja vazio. Me pergunto também se perdemos a oportunidade de observar alguma chuva da janela. São tantas as narrativas que se fazem no cotidiano… Elas fazem falta! Fazem falta para as crianças, fazem falta para os professores. Não fazia parte do plano de ninguém parar, deixei um cartaz para terminar na sala dos professores, tesoura e cola também.
A preparação da Greve Nacional da Educação, no dia 15 de maio, contra a Reforma da Previdência e os ataques do governo Bolsonaro ao setor, receberá o apoio de outras categorias. A decisão foi tomada pelas Centrais Sindicais que estiveram reunidas na tarde desta segunda-feira (6), em São Paulo. A ação será o esquenta na preparação da Greve Geral contra Reforma da Previdência em 14 de junho.
Professor, membro da equipe gestora, auxiliar em educação, oficial de escola, inspetor de alunos, porteiro, zelador escolar, auxiliar de limpeza, cozinheiro, profissional das equipes técnicas (orientador pedagógico, fono, psico, fisio etc)… Todos que trabalhamos nas escolas, envolvidos diretamente no processo de ensino ou em seu apoio e viabilização, somos responsáveis pela qualidade da educação das crianças, jovens e adultos usuários das redes de ensino.
Na efetivação do trabalho dos professores, das professoras, viabilizado e apoiado pelos demais trabalhadores e trabalhadoras da educação escolar, o ensino se concretiza; mais que isso, o processo educativo se complementa na relação e nos cuidados que cada profissional da educação estabelece entre si, com as famílias e com os educandos.
Ensinar, educar e cuidar são indissociáveis, pois fazem parte de um mesmo processo, que é o da formação dos seres humanos para a vida em sociedade. Neste sentido, independente do nosso cargo, no trabalho escolar exercemos função inerentemente educativa.
SOMOS TODOS EDUCADORES – e como educadores que somos, comprometidos com a qualidade da educação, lutamos por melhores condições de trabalho e de aprendizagem, pelo direito de todos à valorização profissional, à salários dignos e condizentes com nossas responsabilidades educativas, à formação em serviço, por planos de carreira que possibilitem concretamente a todos educadores, a todas educadoras, evolução funcional e salarial.
Este espaço virtual se apresenta como uma ferramenta dessa luta, contra o processo de desmonte da educação pública levado à cabo pelos governos federal, estaduais e municipais que ano após ano diminuem os investimentos em educação, impõem retrocessos aos currículos, retiram direitos dos trabalhadores, privatizam e terceirizam o serviço público.
NENHUM PROFISSIONAL FORA! NENHUM DIREITO A MENOS! SOMOS TODOS EDUCADORES!!
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Imagens: Congresso dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Educação de São Bernardo do Campo – 2012 – Trabalhadores de todos os cargos e funções da educação escolar discutiram e votaram em congresso, durante cinco dias, sua proposta de estatuto dos profissionais da educação. Resgatar esse projeto é fundamental para reverter o desmonte da educação pública municipal.
A mesa de debate sobre encarceramento em massa e criminalização do povo negro, realizada no último sábado (22), contou com um rico debate, com reflexões acerca do que representa ser negro no Brasil, fazendo referência à prisão de Rafael Braga, no Rio de Janeiro. A atividade foi promovida pelo Quilombo Raça e Classe, movimento cultural O3 e o Luta Popular, que escolheram a periferia da zona sul, o bairro de Capão Redondo, para esse importante bate-papo.
Os palestrantes Avanilson Araújo, do Luta Popular, Hertz Dias, do Movimento O3, Shirley Raposo do Quilombo Raça e Classe, e a mediadora de Claudicéa Durans, embasaram suas falas com estatísticas alarmantes.
Adriana Braga, mãe de Rafael, que estaria presente no evento para divulgar a campanha pela liberdade do filho, não pode participar, em razão de uma série de problemas com logística e a dificuldade em encontrar quem ficasse com os outros cinco filhos.
Um dos integrantes do Comitê Pela Liberdade de Rafael Braga, Ilídio José Wenceslau Filho, trouxe um vídeo com uma saudação de Adriana agradecendo a atividade e a campanha em torno da soltura de seu filho.
Rafael, de 25 anos, foi o único preso nas jornadas de junho de 2013. Foi condenado no dia 20 de abril de 2017, a 11 anos de prisão, por tráfico e associação criminosa, mesmo alegando inocência. Em 2013, foi acusado de portar material explosivo, quando levava apenas dois frascos lacrados de produto de limpeza.
“Adriana está sofrendo assim como milhares de mulheres que, quando não são encarceradas, são as que têm seus filhos ou companheiros encarcerados e são elas que fazem visita aos presídios, com revistas vexatórias, entre outros constrangimentos”, salientou Claudicéa Durans ao abrir a mesa de debate.
Para compreender o aspecto da criminalização no país, o integrante do Luta Popular usou o caso de Rafael para pontuar a diferença no tratamento de sua prisão em comparação com alguns políticos condenados no país por crimes de corrupção.
“Entre Lula e Rafael Braga há uma diferença muito importante. Rafael Braga, para nós, é um preso político, no entanto, Lula é um político que ainda não foi preso. São diferenças importantes para entendermos a localização de cada um”, disse Avana, completando “como você explica que um ex-operário teve penhorado de sua de previdência privada 9 milhões de reais. Se é um preso político, é em condições bem mais favoráveis que a de Rafael Braga”, salientou.
Sobre a suposta ameaça à democracia levantada por quem defende Lula, Avana apresentou o levantamento que revela que, entre 2005 e 2015, morreram no Brasil 348 mil jovens de 18 a 29 anos. Desses, 70% eram negros. “Como é que a democracia não estava ameaçada nesse período?”, questionou.
Segundo o dossiê sobre a criminalização da pobreza elaborado pelo Luta Popular e apresentado por Avana, foram nos governos de Lula e Dilma que se intensificaram os processos da aprovação leis que são aplicadas contra os trabalhadores. “Em 2007, um decreto de Lula criou a Força Nacional de Segurança, que criminalizou greves de operários em Jirau. Em 2013, no governo de Dilma, foi criada a lei da Organização Criminosa, em que Rafael Braga foi enquadrado”, explicou.
Encarceramento em massa
O Brasil é o terceiro país em número de presos no mundo. Em 2014, quando foi feito o último censo penitenciário no Brasil, 62% da população carcerária é de negros e pardos.
Avana reforçou ainda a criminalização contra os movimentos organizados, que se mobilizam contra a retirada de direitos, e que agora podem ser enquadrados na lei antiterror. “Esse processo só acontece porque há uma resistência profunda, um levante contra esse tipo de situação, há uma reação dos de baixo que só tem uma forma de ser contida na luta de classe, uma delas é através de leis como essa”, disse.
A privatização do sistema carcerário foi abordada por Hertz como outra faceta de aprofundamento da crise carcerária no país. “Existe uma experiência sobre privatização apresentada por uma deputada em Minas Gerais. O contrato da empresa que ganhou a licitação tem uma cláusula que diz o seguinte, que tem que ter um percentual de ocupação das celas, e o estado teria que cumprir isso. Isso significa então, vamos supor, que se em Minas Gerais diminuísse o numero de crimes, o governo ia ter que encontrar uma forma de prender as pessoas para cumprir com a cláusula que está colocada na licitação. Os presos se transformam em mercadoria”, denunciou.
O militante fez todo um contexto histórico desde a escravidão dos negros até a chamada escravidão moderna, em que ainda são submetidos.
Mulheres encarceradas
A militante do Quilombo Raça e Classe, Shirley, trouxe dados sobre as mulheres encarceradas no país. Entre eles, o que indica aumento de 600% de prisões de mulheres. Fazendo o recorte de raça e gênero, ela salientou que desse número, 68% são de mulheres negras. “Esses dados remetem à falta de políticas públicas e reparação, que não tivemos em governo algum”, argumentou.
Shirley reforçou a importância de espaços como aqueles para debater esses temas. “É necessário que continuemos atuando e nos mobilizando contra o encarceramento da população negra e eu acho que não é só para causar comoção, eu acho que tem que ser até a liberdade de Rafael Braga, até a liberdade dos nossos que estão presos”, finalizou.
O microfone foi aberto para que todos pudessem participar, quando complementaram com exemplos pessoais a luta contra o racismo existente no Brasil.
Pela liberdade de Rafael Braga
Como parte da campanha pela liberdade de Rafael Braga, que também é de ajuda financeira para sua família, foi repassado uma “sacola” para que as pessoas pudessem contribuir com sua família.
A frase de Ângela Davis, ativista dos Panteras Negras, que lutou e segue se mobilizando contra o racismo institucional e contra o encarceramento em massa, serviu para um cartaz de divulgação do evento: “O sistema carcerário torna natural a violência decretada contra as minorias raciais ao institucionalizar uma lógica viciosa: os negros estão presos porque são criminosos; eles são criminosos porque são negros, e, se eles estão presos, é porque merecem”.
Rafael é um preso político do governo Dilma/Cabral, condenado no governo Temer/Pezão.
Show
Após o debate, o show ficou por conta da apresentação dos grupos de hip-hop MC’s Psico & Quebrada, Welligton ZN, Americano Fiduhenrique, MC FANI, Hertz Dias – Gíria Vermelha, Mano Yo-P, SJ, que esquentaram a noite e animaram a plateia, com letras poderosas que denunciavam o capitalismo, o racismo, a criminalização das lutas e o encarceramento em massa.
O Movimento de MulheresOlgaBenário, realizou a ocupação de uma casa abandonada para a construção de uma Casa de Referências para Mulheres na cidade de Mauá.
A vida das mulheres no sistema em que vivemos está cada vez pior, com índices de violência e estupro que só aumentam, principalmente das mulheres negras. Por esse motivo e para defender a vida das mulheres foi organizada a ocupação, que foi nomeada de *Helenira Preta* em homenagem à Helenira Resende, mulher negra assassinada e desaparecida pela ditadura militar.
Precisamos de sua ajuda para essa luta ser vitoriosa!
*COMO POSSO AJUDAR A OCUPAÇÃO?*
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Quanto mais pessoas souberem dessa luta mais força teremos para resistir.
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O endereço é Rua Governador Mário Covas em Mauá, enfrente a Praça 22 de Novembro, perto da estação de trem e terminal de ônibus de Mauá.
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Ela é de todas e todos nós, é por uma sociedade mais justa e igualitária, é pela vida das mulheres.
A melhor saída é aquela que construímos com as nossas próprias mãos.
O governo Temer acabou.
O homem arrogante ainda está sentado na cadeira. mas já não é capaz de apontar o caminho que o Brasil deve seguir. Nem ele e nem nenhum político de plantão – eleito ou candidato – tem a nossa confiança.
NOTA DA PEDRA LASCADA: Quem nunca participou de assembleia esvaziada de sindicato e ouviu dos burocratas ao microfone o lamurioso e roto discurso de culpabilização dos trabalhadores “que não se mobilizam”, “que não querem nada” ou, antes, “que querem tudo de mão beijada” e que as “coisas só não vão pra frente porque a categoria não participa” e bla-bla-bla e ti-ti-ti e tro-lo-ló?… Que “a direção, coitada!, ahhh, se mata, se desdobra, se sacrifica, se isso, se aquilo”… O quê?! Você que é servidor público em SBC cansou de ouvir e até de ler tais impropérios em publicações de dirigentes burocratas? Pois é… Qualquer semelhança não é mera coincidência… Entenda esses e outros meandros lendo o brilhante artigo de Hertz Dias, membro da Secretaria de Negros do PSTU e vocalista do grupo de rap Gíria Vermelha. [M.S.] Continuar lendo “Trabalhadores imaturos ou direções apodrecidas? Por onde se organizam as derrotas?”→
Não acredito que os cidadãos comuns que eu conheço sejam realmente a favor das reformas como estão. E me preocupa quando demonstram desconhecerem os textos das reformas, criminalizando aqueles que não se rendem como eles e vão às ruas dizer “assim do jeito que está não queremos!”. Digo isso porque não vi nenhum argumento favorável às reformas que não fosse o fim das “mamatas” dos sindicatos.
É por desinformação que os impede de entender que somos contrários à reforma trabalhista, à reforma da previdência e à lei da terceirização irrestrita da forma como estão propostas? Será que estes que apenas reproduzem os gritos de movimentos como o MBL e o Vem pra Rua sabem que a tal reforma trabalhista que eles dizem que acaba com a “boquinha” dos sindicatos tem cerca de 100 alterações na CLT? Será que sabem que, ao contrário deles que dizem “a culpa do Temer estar lá é de quem votou no PT”, o MBL, o Vem pra Rua e o partido queridinho deles fecha com o Temer, por princípios afins, não como falta de opção, por acreditarem no seu modo de vender os brasileiros e de fazer política? Aliás, quanta infantilidade apoiar o Temer só pra se vingar de petistas… E se acham muito melhores que estes…
Reformas são necessárias e urgentes. A reforma política deveria ser a primeira. Por que não estamos discutindo esta? Porque temos uma economia para “recuperar”, será o seu argumento?! Mantendo bandidos no poder, independente de quantas investigações sejam feitas, de quantas condenações se efetivem, acreditando que a cada 2 anos escolheremos, entre os bandidos, aquele que “rouba, mas faz” ou aquele que “é rico e não precisa roubar nem governar para todos os cidadãos” ou aquele que acha que todos os problemas do país se resolvem colocando uma arma na mão de cada brasileiro?
Com o sangue nos olhos para humilhar e eliminar “petistas” e “esquerdopatas”, demonstrando que democracia e cidadania não são princípios para si, estes brasileiros raivosos preferem amargar uma vida dura a aceitarem estar ao lado de quem tenha um posicionamento político diferente do seu, ainda que essas reformas, do jeito que estão, não privilegiem nem os de direita nem os de esquerda, piora a vida de todos.