Prometo não dizer nunca;
e de prometer jamais me contrariar
– nunca antes, nunca depois, sempre agora…
Um instante preso dentro de uma garrafa
opaca e sem tampa;
Um instante pronto para ser bebido
até a última gota,direto do gargalo
para a garganta.
Prometo escolher só as palavras erradas
– as mais rotas, irregulares e inexatas
Para que todos os sentidos sejam possíveis,
Para que nenhuma palavra
seja sentida, mesmo que linda
e tudo seja incompreensível
e ao mesmo tempo cristalino
como o brilho de uma sinapse
em seu ápice,
no instante em que finda.
Prometo não dizer prometo
e não arrancar da pele a flor,
à flor da pele,
quando exausto,
num silêncio incauto e ao infinito,
soltar um grito em série.
Prometo não dizer mais nada
Prometo não guardar segredo
e ainda (o que à memória agrada)
– prometo não esquecer do medo.
[M.S.]
