Imprescindível

Tem dias que a gente se sente necessário, mas hoje me percebi imprescindível. Com todas as minhas limitações, com o muito que sei que ainda tenho a aprender, me sinto no lugar certo, fazendo o meu melhor, pelo certo. Não digo com orgulho. Digo, apenas, com a consciência tranquila. Assim seja.

Visão da Cidade

Vejo a usina...
Não posso transmitir a imagem dela
Com a avenida ao seu lado
Com as casas ao seu redor
Com as fumaças saindo das chaminés
E acima o céu cinzento.

Santo André, daqui, é tão pequena,
Ainda assim não é tudo...
Esses prédios, esse concreto,
Essa dura realidade
(realidade de concreto!)
Ainda inspira alguma poesia...

Pedaços de mata devastada
Ocupados pelas casas, prédios, ruas,
Como uma ferida
Que jamais vai cicatrizar.
Como uma infecção
Intensa, intensa...

[M.S. - 1995/96]

Imagem em destaque: Flickr.com

Abrigo

Gosto da ideia de encontros fortuitos
quando, ao cair da tarde,
o Sol já não arde
quem arde somos nós
- dois sóis

Gosto das circunstâncias inesperadas
inconscientemente desejadas
com a força de um furacão
impelidas pelo desejo
de seu beijo

Gosto de como me toca com seu olhar
quando, lançados ao mar,
navegamos por águas calmas
de nossas almas
- desnudas

Gosto, por fim, de seu sorriso
inferno e paraíso,
porto seguro no escuro,
um tesouro escondido
- meu abrigo.

[M.S]

Video-poema: No calor urbano

À noite
Quando vou à cidade
E as ruas estão descongestionadas,
Tudo parece tranquilo:
Nada demais acontece
- o que é breve fenece
o que é febre adormece
o que é surdo amortece
o que é dor o amor esquece
o que é maldição vira prece
o que é pensar arvorece...

Então, o que era egrégio ficou pouco
O que era livre ficou louco...

E os prédios não estão mais derretendo.

                                                                              [M.S.]

Subverso

Pequena notinha explicativa: Escrevi estes dias, retomando uma célebre frase de um personagem do filme “O Carteiro e o Poeta”, que o poema pertence a quem lê. É o caso deste poema, escrito sem letras iniciais maiúsculas e sem pontuações para cada leitor seguir sua própria ordem e colocar seu próprio ritmo, sua entonação pessoal e atribuir seus próprios sentidos e significados. Eu mesmo faço várias leituras dele, e cada uma com alguns sentidos diferentes. Abaixo, compartilho a minha preferida 😉