Tem dias que a gente se sente necessário, mas hoje me percebi imprescindível. Com todas as minhas limitações, com o muito que sei que ainda tenho a aprender, me sinto no lugar certo, fazendo o meu melhor, pelo certo. Não digo com orgulho. Digo, apenas, com a consciência tranquila. Assim seja.
Autor: Marcelo Siqueira
No consultório
Terapeuta pergunta ao paciente:
– Se pudesse voltar ao passado, o que faria de diferente?
Ele, sem titubear:
– Nada! Erraria tudo de novo.
– Ok! Diagnóstico: aquariano.
Luz
Ela diz que quer tentar ser luz, luzir; mas se não der luz, a Lua é dela.
Sentidos
Muito do que escrevi no passado faz mais sentido agora.
Visão da Cidade
Vejo a usina... Não posso transmitir a imagem dela Com a avenida ao seu lado Com as casas ao seu redor Com as fumaças saindo das chaminés E acima o céu cinzento. Santo André, daqui, é tão pequena, Ainda assim não é tudo... Esses prédios, esse concreto, Essa dura realidade (realidade de concreto!) Ainda inspira alguma poesia... Pedaços de mata devastada Ocupados pelas casas, prédios, ruas, Como uma ferida Que jamais vai cicatrizar. Como uma infecção Intensa, intensa... [M.S. - 1995/96]
Imagem em destaque: Flickr.com
Conselhos?
Que conselho você daria para seu eu adolescente?
Curta, curta muito, porque quando estiver adulto vou querer ser como você não foi.
Escolhas
Às vezes, é preciso escolher perder para não se perder. Qualquer que seja a escolha, o preço a pagar sempre será alto.
Abrigo
Gosto da ideia de encontros fortuitos quando, ao cair da tarde, o Sol já não arde quem arde somos nós - dois sóis Gosto das circunstâncias inesperadas inconscientemente desejadas com a força de um furacão impelidas pelo desejo de seu beijo Gosto de como me toca com seu olhar quando, lançados ao mar, navegamos por águas calmas de nossas almas - desnudas Gosto, por fim, de seu sorriso inferno e paraíso, porto seguro no escuro, um tesouro escondido - meu abrigo. [M.S]
Video-poema: No calor urbano
À noite
Quando vou à cidade
E as ruas estão descongestionadas,
Tudo parece tranquilo:
Nada demais acontece
- o que é breve fenece
o que é febre adormece
o que é surdo amortece
o que é dor o amor esquece
o que é maldição vira prece
o que é pensar arvorece...
Então, o que era egrégio ficou pouco
O que era livre ficou louco...
E os prédios não estão mais derretendo.
[M.S.]
Subverso

Pequena notinha explicativa: Escrevi estes dias, retomando uma célebre frase de um personagem do filme “O Carteiro e o Poeta”, que o poema pertence a quem lê. É o caso deste poema, escrito sem letras iniciais maiúsculas e sem pontuações para cada leitor seguir sua própria ordem e colocar seu próprio ritmo, sua entonação pessoal e atribuir seus próprios sentidos e significados. Eu mesmo faço várias leituras dele, e cada uma com alguns sentidos diferentes. Abaixo, compartilho a minha preferida 😉



