Conheço a aurora com seu desatino
Conheço o amanhecer com o seu tesouro
Conheço as andorinhas sem destino Continuar lendo “Menos a mim”
Categoria: Contos, crônicas, poesias & afins
“Todas as pontes que você queima”…
http://olhares.uol.com.br/-foto1591252.html
All the bridges that you burn
Come back one day to haunt you(Tracy Chapman)
Estava triste. Até que li o jornal da chapatrão. As mentiras e calúnias de sempre estão lá, estampadas. Estão estampadas também, na cara larga, as contradições e as distâncias abissais entre o que dizem fazer, entre o que propõem e entre o que efetivamente fazem e fizeram.
Obviamente nada disso é motivo para estar feliz; afinal, se escrevem umas coisas estapafúrdias como as ali contidas, imagino o que dizem à boca pequena, falando diretamente a ouvidos desprevenidos ou escrevendo a olhos incautos, em grupos que não participo.
Na verdade, eu sei o que dizem e o que escrevem. E muito do que inventam não vale a pena responder ou se preocupar em desmentir, ainda sob o risco de alguns, por boa fé ou ingenuidade, acreditarem.
Crenças são assim mesmo, mobilizam emoções e sentimentos, geram até mesmo medo e ódio do que se julga conhecer, mas não se sabe realmente até se certificar da veracidade do que inescrupulosamente afirmam…
Dias atrás alguém que não me conhecia (e por lógica nem eu esse alguém) me disse: “Eu te conheço de outros carnavais“. E eu quase que pensei que o porre que eu havia tomado devia ter sido homérico, porque não lembrava da pessoa nem lembrava de ter ido a algum carnaval nos últimos 25 anos.
O bacana é que após um tempo de uma DR entre dois recém-conhecidos, a pessoa disse: “poxa, eu devia ter conversado diretamente com você antes”…
O lamentável é que, limitados pelas desigualdades reiteradamente impostas nas eleições do sindicato, não tenho (nós da chapa 2 não temos) condição de conversar pessoalmente com tantas outras pessoas que possam também acreditar que me (nos) conheçam de “outros carnavais”…
Não nos cabe julgar quem (por descuido ?) acredita em calúnias, em informações distorcidas ou difamações. O importante é saber, como diz o velho ditado popular: quem semeia vento colhe tempestade.
E a tempestade das desilusões após o ser humano se defrontar com as verdades dos fatos é exponencialmente proporcional aos ventos da mentira soprados nos ouvidos dos de boa fé, porque quem tem boa fé age por boa fé, é boa gente, ainda que pela influência das invencionices ouvidas possa por vezes tomar decisões equivocadas, agir por engano e, sem saber, contra si mesmo.
Faz parte.
Aprendi uma coisa simples e verdadeira nesta caminhada: as pessoas precisam fazer suas experiências para, quem sabe, aprender com elas.
E esse “quem sabe”, esse terreno rico de possibilidades, é um risco que vale a pena correr, porque respeita o tempo, o ritmo e até mesmo as limitações das pessoas, deixando o caminho, as portas e as janelas abertas para que a qualquer tempo trilhem, entrem ou apenas espiem, se assim desejarem, se assim decidirem…
É por isso que não convém o tempo todo ficar lembrando às pessoas a célebre constatação de Marx: “se a aparência correspondesse à essência, a ciência seria desnecessária” (em português claro: nem tudo é como a gente pensa que é só porque nos disseram).
Ainda que de fato para conhecer seja necessário ter uma atitude radical, isto é, ir às raízes, à origem, consultar diretamente a fonte… Às vezes é mais educativo, embora possa vir à ser uma experiência dolorosa, deixar as pessoas testarem, tentarem…
Eu estava triste. Até que li o jornal da chapatrão… É que, ao escreverem suas invencionices estapafúrdias para tentarem enganar os colegas e espezinharem nossa paciência, me deram essa alegria da reflexão e deixaram um lastro de pólvora que, ahhhh, será bonito de ver quando as luzes acenderem!!!
Oxalá acenderão!
M.S.
Ai se sesse
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=-SV47bqozcg
Os sofrimentos do jovem Wilhelm
Por Vinicius Canhoto
Caro Werther, inquieta-me o coração receber tuas aflições por meio das cartas que chegam às minhas mãos, cada vez mais trêmulas, a cada chegada do carteiro. Sofro por ti, por mim, por nós ao ler nas tuas palavras que a cada dia morres mais um pouco. No entanto, por mais que me fales em tirar-te a própria vida, é justamente a vida que te tiras dela.
Meu amigo, embora os livros de História digam que a Idade dos Metais ficou na pré-História, te digo que ainda estamos na pré-História e que a Idade dos Metais ainda segue. Vivemos a Idade do Ouro de Tolo, ou melhor, a Idade do Ouro dos Tolos e, por isso, artistas em nosso convívio perecem. Nesta Idade, na nossa idade, os sonhos logo se vão.
Vejo-te sonhando, despertando, nascendo, morrendo e ressuscitando, mas não sei até quando.
Amo-te mais por saber que…
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Possessão – Parte I

Este é o mundo real. E verdadeiramente surreal. Às vezes os bandidos vencem. Suas mentiras, mesmo que todos a conheçam, continuam sendo proferidas com tamanha convicção que chegamos a pensar que é caso para intervenção psiquiátrica. Eles bebem e se fartam – comemoram o sucesso de seus golpes… Afinal, como diz aquela velha canção de rock’n roll, “a história se repete, mas a força deixa a história mal contada”.
No reverso do espelho distorcido em que enxergam nos outros aquilo que eles são, mas que alguns não se percebem e outros fingem não se perceber, talvez até pensem que os outros é que são um bando de safados que fazem um discurso barato a ser desconstruído. Mas isto é só uma suposição, pois é simplesmente impossível saber o que pensam ou que dizem procurando no outro o inimigo que está em si mesmos. Continuar lendo “Possessão – Parte I”
Se os tubarões fossem homens…
Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentis com os peixes pequenos. Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais. Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim de que não morressem antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.
Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a goela dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. Aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos. Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos. Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência. Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista. E denunciaria imediatamente os tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.
Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que, entre os peixinhos e outros tubarões existem gigantescas diferenças. Eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.
Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, haveria belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas goelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nas quais se poderia brincar magnificamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões.A música seria tão bela, tão bela, que os peixinhos sob seus acordes e a orquestra na frente, entrariam em massa para as goelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos. Também haveria uma religião ali.
Se os tubarões fossem homens, eles ensinariam essa religião. E só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida. Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros. Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões, pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar. E os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiros da construção de caixas e assim por diante. Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.
Bertol Brecht
A Verdade
A porta da verdade estava aberta
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só conseguia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia os seus fogos.
Era dividida em duas metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era perfeitamente bela.
E era preciso optar. Cada um optou
conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
(Carlos Drummond de Andrade)
Se você quer mesmo a verdade e a justiça, deixe um pouco de lado a emoção, procure observar melhor o que acontece ao seu redor para não propagar mentiras e não cometer injustiças.
Sobre golpes e tapetões: o atualíssimo “A implosão da mentira”.
NOTA DA PEDRA LASCADA: Àqueles que tentam impor um golpe contra os servidores públicos por meio de um tapetão grosseiro, permeando calúnias, mentiras e distorções para semear vento, segue o atualíssimo fragmento de um famoso poema de Affonso Romana de Sant’Anna.
Ps: nunca é demais lembrar que, como diz o ditado, quem semeia vento colhe tempestade.
A Implosão da Mentira
(ou o episódio do Riocentro-fragmentos)
Fragmento 1.
Mentiram-me. Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.
Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.
Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.
Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.
Tarefa
Morder o fruto amargo e não cuspir
mas avisar aos outros quanto é amargo,
cumprir o trato injusto e não falhar
mas avisar aos outros quanto é injusto,
sofrer o esquema falso e não ceder
mas avisar aos outros quanto é falso;
dizer também que são coisas mutáveis…
E quando em muitos a noção pulsar
— do amargo e injusto e falso por mudar —
então confiar à gente exausta o plano
de um mundo novo e muito mais humano.
Geir Campos



