O Proletário e o Sonho

Há um muro de concreto entre o céu e a Terra

Sonhando ser o teto uma saída
O camarada proletário constrói sua astronave
Com sete cores e com sete chaves
Banhado pela luz da Lua e pela Luz do Sol.

Sem perceber, o camarada proletário sonha

E nuvens alvas movem-se sob os seus pés
Mas o proletário já não pode
Abaixar a cabeça e calar-se
Pois dentro dele há um ideal e um grito
Às vezes de dor, às vezes de desespero.

Sonha, camarada proletário,
Sonha, que o futuro virá!

[M.S.]

Louvor do Revolucionário

Quando a opressão aumenta
Muitos se desencorajam
Mas a coragem dele cresce.
Ele organiza a luta
Pelo tostão do salário, pela água do chá
E pelo poder no Estado.
Pergunta à propriedade:
Donde vens tu?
Pergunta às opiniões:
A quem aproveitais?

Onde quer que todos calem
Ali falará ele
E onde reina a opressão e se fala do Destino
Ele nomeará os nomes.

Onde se senta à mesa
Senta-se a insatisfação à mesa
A comida estraga-se
E reconhece-se que o quarto é acanhado.

Pra onde quer que o expulsem, para lá
Vai a revolta, e donde é escorraçado
Fica ainda lá o desassossego.

[Bertolt Brecht]

E viva a Revolução!

Flor de Lis, blog da Marisa Teixeira, a quem tenho prazer em conhecer pessoalmente, é uma ilha no oceano turbulento da internet. Com sua narrativa simples e envolvente de fatos de seu cotidiano, e demonstrando uma sensibilidade rara, Marisa vai nos conduzindo a um mundo que deixa de ser somente seu para ser também nosso, de quem a lê… [M.S.]

Avatar de MARISA TEIXEIRAFlor de Lis

cymera_20161127_121559Claro que estou falando da revolução interna, aquela que vira a gente do avesso e nos faz emergir com outra narrativa a nosso respeito. Se bem que neste sábado eu tive uma ajudinha do Fidel Castro, até porque saí com a promessa de dançar um chá-chá-chá em sua homenagem. Começou que pela primeira vez eu convidei dois homens pra me levar à pista. Vá lá que antes eles tinham me dado sinais de seu interesse. Foi quando eu o vi no meio do povo. Sabe aquele moço ali contente? Já fui doente naquele homem. Aproveita pra tirar uma casquinha, ela me encorajou. Tomei fôlego e me apresentei. Fui recebida com um abraço. Bem na hora do samba. Fomos rememorar nossa parceria. Eu nunca tive um par como ele, que dança qualquer ritmo. Pude verbalizar isso quando desabamos à mesa do bar à frente de uma garrafa de água e de um…

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Metáforas

Como cacos colados remendo versos anacrônicos:

Anátemas pueris de uma sorte inglória,
fogos de artes e ofícios,
estampidos no sótão,
declarações de paz
e fortunas descabidas,
impostos retidos
na fonte
dos desejos compartilhados
(cem dias em um só tempo).
.
Tudo duvido da vida:
Até mesmo a improbabilidade
de uma existência inexistida.
.
Tenho tido metáforas que me afogam.
[M.S]