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CONGRESSO DO ESTATUTO DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO

Dias 7, 8 e 9 de março, das 08 às 17h00, acontecerá o I CONGRESSO DOS TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO DO MUNICÍPIO DE SÃO BERNARDO DO CAMPO. Será neste Congresso que cerca de 600 profissionais da educação, após o longo processo de discussão coletiva, decidirão sobre a proposta final de Estatuto e Planos de Carreira do Magistério e dos Funcionários da Educação Básica Pública Municipal, que deverá ser defendida pela Comissão Setorial da Educação e Sindserv/SBC junto à mesa de negociação. Em breve, publicaremos maiores detalhyes sobre o Congresso, que certamente será marco histórico da organização dos trabalhadores da educação municipal de São Bernardo do Campo.

Visite o sítio do Sindserv/ SBC e conheça as propostas preliminares que serão debatidas no Congresso: www.sindservsbc.org.br.

[ M.S.]

Exonerômetro: Coordenador Pedagógico em São Bernardo do Campo

Nota da Pedra Lascada: Abaixo segue o quadro de exonerações de Coordenador Pedagógico em São Bernardo do Campo, desde a data de início deste cargo (2010). Os dados foram todos pacientemente extraídos da publicação oficial da PMSBC (Jornal Notícias do Município) e podem ser conferidos nas publicações online no sítio www.saobernardo.sp.gov.br. Como a coleta é bem trabalhosa, demandando busca em cada uma das publicações, pode haver uma pequena margem de erro (de 1 ou 2), mas após a quinta conferência estamos confiantes de que o exonerômetro dos CPs está exatíssimo. Note-se que até o momento foram 356 convocações!!! Há que se pensar: por que será que um município que tem uma das maiores arrecadações do Brasil não tem conseguido completar seu quadro de Coordenador Pedagógico e enfrenta tantas baixas assim? Em breve publicaremos o exonerômetro dos Professores, mas já adiantamos que a situação não é menos pior…

DATA Convocação Exoneração
15/01/2010 190 0
22/01/2010 0 0
29/01/2010 0 0
05/02/2010 0 0
12/02/2010 190 a 256 0
19/02/2010 0 0
26/02/2010 0 0
05/03/2010 257 a 275 0
13/03/2010 0 0
19/03/2010 0 0
26/03/2010 0 1
01/04/2010 276 a 277 0
09/04/2010 278 a 285 0
16/04/2010 0 1
23/04/2010 0 1
30/04/2010 286 a 290 1
07/05/2010 0 0
14/05/2010 0 1
21/05/2010 0 0
28/05/2010 291 0
02/06/2010 0 0
07/06/2010 0 0
11/06/2010 0 0
18/06/2010 0 0
24/06/2010 0 0
30/06/2010 0 0
01/07/2010 0 0
08/07/2010 0 0
16/07/2010 292 2
23/07/2010 0 0
30/07/2010 293 a 295 0
06/08/2010 0 0
13/08/2010 0 0
19/08/2010 0 0
27/08/2010 0 0
03/09/2010 0 0
10/09/2010 0 0
17/09/2010 0 1
24/09/2010 0 1
01/10/2010 298 0
08/10/2010 0 1
15/10/2010 0 1
22/10/2010 299 a 301 0
29/10/2010 0 1
05/11/2010 0 0
12/11/2010 0 2
19/11/2010 0 0
20/11/2010 0 0
26/11/2010 302 a 305 1
10/12/2010 306 0
17/12/2010 0 0
19/12/2010 0 0
23/12/2010 0 1
30/12/2010 0 0
07/01/2011 0 0
14/01/2011 0 1
21/01/2011 0 0
28/01/2011 322 a 327 1
04/02/2011 0 2
11/02/2011 0 1
18/02/2011 0 3
25/02/2011 328 a 332 3
04/03/2011 333 a 345 0
11/03/2011 0 0
18/03/2011 0 1
25/03/2011 0 0
01/04/2011 0 0
08/04/2011 0 0
15/04/2011 346 a 349 0
20/04/2011 0 0
29/04/2011 0 0
06/05/2011 0 0
13/05/2011 0 0
20/05/2011 350 1
27/05/2011 351 a 352 0
03/06/2011 0 0
10/06/2011 0 1
17/06/2011 0 0
22/06/2011 0 0
01/07/2011 353 a 356 1
08/07/2011 0 2
15/07/2011 0 0
22/07/2011 0 0
29/07/2011 0 0
05/08/2011 0 1
12/08/2011 0 2
19/08/2011 0 2
26/08/2011 0 0
02/09/2011 0 0
09/09/2011 0 0
16/09/2011 0 0
23/09/2011 0 0
30/09/2011 0 0
07/10/2011 0 1
14/10/2011 0 0
21/10/2011 0 0
27/10/2011 0 0
04/11/2011 0 0
11/11/2011 0 0
18/11/2011 0 0
25/11/2011 0 0
02/12/2011
09/12/2011
16/12/2011
23/12/2011
30/12/2011
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Estatuto dos Profissionais da Educação: Secretaria de Educação desrespeita processo democrático

São bernardo do Campo, 24 de novembro de 2011

        Aos Trabalhadores e Trabalhadoras da Rede Municipal de Educação
        O recebimento da devolutiva da proposta para o Plano de Carreiras para o quadro do Magistério e Funcionários pela SE na noite de 23/11/11 causou INDIGNAÇÃO na Comissão Setorial de Educação e SINDSERV já na leitura parcial do texto. Ficou evidente o total DESRESPEITO da secretaria com as discussões da rede e o trabalho de sistematização feito pela Comissão, isto ficou demonstrado quando constatamos que a SE utilizou em seu comparativo a primeira versão encaminhada[1], sem ao menos considerar os apontamentos feitos, denotando má intenção quando identifica esse texto como sendo indicação da Comissão, o que NÃO CORRESPONDE AO TRABALHO QUE FOI FEITO. Tudo isso mesmo após utilizar um tempo muito superior ao acordado (o prazo para a devolutiva era 15 de setembro !!!!).
        Nessa primeira leitura também pudemos observar a ausência de artigos e capítulos importantes, o que deixa a dúvida do significado dessa omissão, além de não ficar claro se a ausência significa que há acordo com o texto e qual texto foi considerado (1a. ou 2a. Versão[2]).
        Por fim, contrariando a expectativa da rede, observamos que o Plano de Carreiras NÃO CONTÉM OS AVANÇOS ESPERADOS, demonstrando que a Secretaria pretende fazer um Estatuto com custo zero !!!
        Frente a estes fatos buscamos contato telefônico com o Sr. Fernando Mendes na própria noite do dia 23, só conseguindo fazê-lo no dia seguinte, para já nos pronunciarmos sobre a situação e EXIGIR que RESPEITO não seja apenas uma palavra, mas uma atitude. Não vamos parar nosso trabalho de elaboração que está em curso, e disponibilizaremos o texto da devolutiva na próxima semana pelo site do Sindicato.[3]
        Alertamos a rede para essa situação e convocamos a todos para se posicionarem e exigirem respeito ao processo democrático em curso e às reivindicações da categoria.

[1]    A primeira versão corresponde ao texto organizado pelo IBSA e com as caixas de textos contendo apontamentos da Comissão Setorial de Educação, que também parece não terem sido consideradas.
[2]    A segunda versão é o texto revisado com as contribuições da rede feitas pelo instrumento on-line e está disponibilizada no site do Sindicato.

Assédio Moral no Trabalho – como lidar com ele?

Nota da Pedra Lascada: O presente texto foi sugerido pela colega Célia Gutierrez. Ainda que pessoalmente tenho ressalvas devido à linguagem  e caráter empresarial, fruto da origem e do contexto do autor,  este artigo é mais uma valiosa contribuição ao debate. Boa leitura! [MS]

***

Por Werner Kugelmeier

Assédio moral, também chamado “psicoterrorismo no trabalho”, é tão antigo quanto  o trabalho; já existia na Antigüidade, quando o escravo era recrutado à força.  Trata-se de uma prática perversa, bastante comum, realizada no local de  trabalho. É aquela sensação de medo, isolamento, humilhação e insegurança que,  em maior ou menor grau, a maioria dos trabalhadores alguma vez já sentiu. Esse  terror psicológico pode se instalar em qualquer ambiente de trabalho e afetar  profissionais de todos os níveis hierárquicos.

A novidade reside na intensificação, gravidade, amplitude e banalização do  fenômeno e na abordagem que tenta tratá-lo como não inerente ao trabalho.

Um cenário crítico, levando em conta que a prática de assédio moral é capaz de  até desequilibrar e provocar explosões de ódio, acarretando situações  desesperadas, com riscos ou até mesmo perdas de vidas.

O medo do desemprego é uma das principais causas desse fenômeno. Para garantir  seu emprego, o(a) funcionário(a) sujeita-se a atitudes anti-profissionais.  Quando a auto-estima está em baixa, o(a) funcionário(a) não se reconhece como  profissional, tornando-se, assim, alvo para qualquer tipo de assédio.

• Assédio Sexual:

Quando se fala de assédio moral merece destaque a questão do “assédio sexual”, que se configura quando a liberdade sexual de outra pessoa é invadida e ela é  coagida a fazer aquilo que não quer. A situação se agrava quando alguém se  utiliza do poder hierárquico sobre outra pessoa, normalmente do sexo feminino,  para assumir uma conduta sexual que faz com que a pessoa assediada se sinta  molestada, constrangida ou humilhada.

Para que se caracterize o assédio sexual é  elementar que haja recusa por parte do assediado; do contrário, o fato será  encarado como paquera ou namoro

• Qual a extensão do Assédio Moral?

A violência moral no trabalho constitui um fenômeno internacional. No chamado mundo civilizado, segundo inquérito da União Européia, cerca de 12  milhões de trabalhadores já foram vítimas de maus tratos morais; nos EUA,  ocorrências de assédio sexual levam frequentemente a punições por parte das  empresas.

No mundo latino-americano, árabe, africano e asiático, o assédio moral e sexual  existe de forma alarmante, analisando gravidade, freqüência e tendência  crescente.

 No Brasil, o tema é pouco discutido, mas os números também assustam. Recente  pesquisa, publicada na “Folha Equilíbrio”, suplemento do Jornal Folha de São  Paulo, de 21 de fevereiro de 2002, revela que a maioria dos trabalhadores sente  o drama na pele. Segundo o jornal, foram ouvidos 4718 profissionais em todo o  Brasil e 68% deles disseram sofrer de algum tipo de humilhação, várias vezes por  semana.

Trata-se de uma situação evidentemente delicadíssima, numa nação com altíssimas  taxas de desemprego e uma tradição autoritária derivada da escravidão, na qual o  agressor costuma alegar (de forma irritante e persistente) “estar querendo  somente ajudar, dar um toque, uma dica”.

 As perspectivas são sombrias para as duas próximas décadas pois, segundo a  Organização Internacional de Trabalho – OIT e a Organização Mundial da Saúde – OMS, estas serão as décadas do “mal-estar na globalização”, em que predominarão  angústias e depressões.

• Motivos para o Assédio Moral

Em geral, inveja, mesquinhez, preconceito, machismo e pequenez de mentalidade  levam a este tipo de comportamento. O agressor alega, entre outras coisas, que “é pelo bem do assediado”. Isto é, indubitavelmente, o sumo da hipocrisia.

Um dos principais motivos do assédio é, ainda, o fato de o empregador desejar o  desligamento do funcionário, mas não querer demiti-lo, em função das despesas  trabalhistas decorrentes. Cria-se, então, uma situação insustentável em que o  empregado é levado a pedir demissão – compulsiva.

• Perfil do Assediador

De acordo com o site http://www.assediomoral.com.br , a violência é geralmente exercida  pelas pessoas “inseguras, autoritárias e narcisistas”. Esses indivíduos

 • têm facilidade para manipular as pessoas
• sabem identificar quem vai abaixar a cabeça perante seus insultos
• têm propensão à perversidade
• têm intenção firme de constranger ou humilhar a vítima

• Perfil do Assediado:

 • Empregados que são considerados velhos
• Empregados que não aceitam o autoritarismo e são mais capazes do que o  agressor
• Portadores de deficiência física
• Pessoas que têm valores religiosos/políticos/sexuais diferentes do agressor
• Homens em um grupo de mulheres e mulheres em um grupo de homens
• Mulheres grávidas ou com filhos pequenos

Daí se conclui que o assédio moral, em geral, é praticado contra minorias,  pessoas vulneráveis e contra a mulher em particular.

• Estratégias do Agressor

 Para que se caracterize o assédio moral, são fundamentais a intenção do agressor  de atingir o empregado e a repetição da agressão. Em geral, um ataque isolado  não seria prejudicial, apenas causaria um certo incômodo. O que faz o assédio  moral ser violento é a freqüência com que o ato é praticado. O assediador  utiliza estratégias como:

• Escolher a vítima e isolá-la do grupo
• Menosprezá-la em frente aos pares
• Criticá-la publicamente
• Desestabilizá-la emocional e profissionalmente
• A explicitação do assédio

O assédio moral manifesta-se por gestos e condutas abusivas e constrangedoras,  tais como: inferiorizar o indivíduo, ignorá-lo, difamá-lo, ridicularizá-lo,  passar tarefas através de terceiros ou colocá-los em sua mesa sem avisar,  controlar o tempo de idas ao banheiro, tornar público algo íntimo da pessoa  subordinada, não explicar a causa da perseguição e assim por diante.

O assédio sexual se torna evidente através de piadas jocosas relacionadas a  sexo, cantadas desmascaradas, insinuações vulgares, “elogios” ao corpo, ou  mensagens/fotos de caráter pornográfico.

• Exemplos de assédio moral

Nas empresas:
• Humilhações com intenção de forçar o pedido de demissão
• Estabelecimento de metas impossíveis de serem atingidas e a cobrança  humilhante
• Boicote através de menos trabalho e/ou trabalho menos complexo do que o padrão
• Isolamento dos demais colegas
• Ataques freqüentes à vida pessoal do empregado, no ambiente de trabalho

No ambulatório das empresas e INSS:
• Ser atendido de porta aberta e não ter a privacidade respeitada
• Ter seus laudos recusados e ridicularizados
• Dar alta antecipada ao doente em tratamento, encaminhando para a produção
• Negar laudo médico, não fornecer cópia dos exames e prontuários
• Não orientar o trabalhador quanto aos riscos existentes no posto de trabalho

• Política de reafirmação da humilhação nas empresas

 a) com todos os trabalhadores:
• Treinar, discriminar por sexo: cursos de preferência para homens
• Discriminação de salários, conforme o sexo
• Induzir trabalhadores a não procurar o Sindicato
• Dar advertência, em conseqüência de atestado médico

b) com a mulheres
• Impedir que as grávidas se sentem durante a jornada
• Impedir que as grávidas façam consultas de pré-natal fora da empresa
• Exigir das mulheres que não engravidem, evitando prejuízos à produção

c) com os doentes e acidentados que retornam ao trabalho
• Diminuir salários quando retornam ao trabalho
• Controlar as idas a médicos
• Desaparecer com os atestados
• Demitir acidentados do trabalho
• Danos da humilhação à saúde

A depressão é a doença mais freqüentemente constatada como oriunda do assédio  moral. Estamos falando de lesões psicossomáticas; causas que precisam do amparo  dos tribunais. O mais importante é que o ofendido procure os seus direitos com o  simples propósito de recompor a sua auto-estima.

A ofensa moral não tem preço;  mas vale a pena alguém pagar, nas garras dos tribunais, pela humilhação causada  ao seu próximo.

A manifestação dos sentimentos e emoções nas situações de humilhação e  constrangimentos é diferenciada conforme o sexo: entrevistas realizadas com 870  homens e mulheres, vítimas de opressão no ambiente profissional, revelam como  cada sexo reage a essa situação (em porcentagem):

Sintomas Mulheres/Homens
Crises de choro 100
Dores generalizadas 80/80
Palpitações, tremores 80/40
Sentimento de inutilidade 72/40
Insônia ou sonolência excessiva 70/64
Depressão 60/70
Diminuição da libido 60/15
Sede de vingança 50/100
Aumento da pressão arterial 40/52
Dor de cabeça 40/33
Distúrbios digestivos 40/15
Tonturas 22/3,2
Idéia de suicídio 16/ 100
Falta de apetite 14/2
Falta de ar 10/30
Passa a beber 5/63
Tentativa de suicídio – 18

(Fonte: Barreto, M. Uma Jornada de Humilhações. 2000 PUC/SP)

É este sofrimento imposto nas relações de trabalho que revela o adoecimento,  pois o que torna as pessoas doentes é viver uma vida que não desejam, não  escolheram e não suportam.

• O que você deve fazer ?

• Verificar, em primeiro lugar, se o que está ocorrendo é realmente assédio  moral
• Resistir: anotar com detalhes todas as humilhações sofridas
• Dar visibilidade, procurando a ajuda de pessoas de confiança
• Evitar conversar com o agressor sem testemunhas
• Reunir provas para a comprovação do assédio, p.ex. testemunhas
• Denunciar o assédio ao RH, à CIPA, ao SESMT e ao Sindicato

Se você for testemunha de cena(s) de humilhação no trabalho, supere seu medo,  seja solidário com seu colega. Você poderá ser “a próxima vítima” e, nesta hora,  o apoio dos seus colegas também será precioso. Não esqueça que o medo reforça o  poder do agressor!

O basta à humilhação depende da informação, organização e mobilização dos  trabalhadores. Um ambiente de trabalho saudável é uma conquista diária, possível  na medida em que haja “vigilância constante”, objetivando condições de trabalho  dignas, baseadas no respeito “ao outro como legítimo outro”, no incentivo à  criatividade, na cooperação.

O combate de forma eficaz ao assédio moral no trabalho exige a formação de um  coletivo multidisciplinar, envolvendo diferentes agentes sociais: sindicatos,  advogados, médicos do trabalho e outros profissionais de saúde, sociólogos,  antropólogos e grupos de reflexão sobre o assédio moral. Estes são passos  iniciais para conquistarmos um ambiente de trabalho saneado de riscos e  violências e que seja sinônimo de cidadania.

• A luz no final do túnel

A empresa, muitas vezes, faz vista grossa, ou apresenta-se perplexa diante de  uma situação de assédio moral aos seus colaboradores; porém, muitas não sabe ou  carece de qualquer liderança situacional a respeito.

É importante que a empresa conheça e oriente todos os seus colaboradores sobre  quais aspectos podem ser considerados assédio moral, quais prejuízos a empresa  pode ter e, principalmente, quais as reações as pessoas podem manifestar quando  submetidas à agressão moral.

Uma estratégia de desenvolvimento do Capital Humano diminui as chances de  surgirem comportamentos de assédio moral e aponta a cultura de aprendizado, no  lugar da punição bem como a desmistificação das relações de poder.

Já existem empresas que estão começando a encarar o assédio moral e aceitam  reclamações. Elas entendem que a produtividade está diretamente ligada ao  ambiente sadio – o clima pessoal e organizacional.

Partindo da premissa de que a empresa é um ser vivo, composto pelos  colaboradores, cabe a cada um – uns mais, outros menos – dar suporte à missão “Basta!”

• Trabalhe insistentemente para que exista um clima saudável na empresa
• Invista no relacionamento entre os seus funcionários; p.ex., jogos, happy  hours etc.
• Estabeleça um código de conduta que deve ser seguido por todos os  colaboradores
• Crie a figura do Ouvidor para que o(a) colaborador(a) denuncie
• Converse com as partes envolvidas para saber a visão de ambas sobre o caso
• Recorra aos advogados como último recurso entre as partes
• Se necessário, encaminhe o assediador para um tratamento  psicológico/psiquiátrico

Em suma, é possível, sim, dar um “basta”, basta fazê-lo com
B ravura – A titude – S eriedade – T eamwork – A creditar (BASTA)!!!

***

Werner Kugelmeier é Diretor da WK PRISMA – EDUCAÇÃO CORPORATIVA MODULAR, Empresa  de Treinamentos Empresariais, de Campinas – SP, http://www.wkprisma.com.br, Autor do  Livro “PRISMA – girando a pirâmide corporativa”, wkprisma@wkprisma.com.br

O Constante Diálogo

Há tantos diálogos

Diálogo com o ser amado
o semelhante
o diferente
o indiferente
o oposto
o adversário
o surdo-mudo
o possesso
o irracional
o vegetal
o mineral
o inominado

Diálogo consigo mesmo
com a noite
os astros
os mortos
as idéias
o sonho
o passado
o mais que futuro

Escolhe teu diálogo

e
tua melhor palavra
ou
teu melhor silêncio
Mesmo no silêncio e com o silêncio
dialogamos.

[Carlos Drummond de Andrade]

Votação da SBCPrev: quem votou a favor, quem votou contra, quem ficou em cima do muro…

Vereadores que votaram contra: Ferro, Camolesi, Tudo Azul, Marcelo Lima e Vandir. O resto traiu os servidores publicos.

Vereadores que votaram contra os funcionários públicos e contra os munícipes: Zé Ferreira (PT), Toninho da Lanchonete (PT), Tião Mateus (PT), Matias Fiuza (PT), Paulo Dias (PT), Luizinho (PT), Pastor Ivanildo (PSB), MIranda da Fé (PSB), Ary de Oliveira (PSB), Cabrera (PSB), Gilberto FRança (PMDB), Tunico Vieira (PMDB), Mauro Miaguti (DEM), SERGIO DEMARCHI (PSB). Abstenção vergonhosa: Fábio Landi (DEM).

 Troféu Pinochet/ Fujimori para o vereador Minami (PSDB), presidente da Câmara, que botou a polícia pra vigiar e revistar trabalhador e conduziu a votação com mãos de ferro.

Troféu Pinóquio para o vereador SÉRGIO DEMARCHI, que mandou e-mails para os servidores dizendo que votaria contra o projeto da SBCPrev, mas votou CONTRA OS TRABALHADORES. Que a nossa memória não se apague. 2012 vem aí!

SBCPrev aprovada. Cerca de 40 novos cargos comissionados. Gastos que passarão de 400 mil reais/ano para cerca de 22 milhões ao ano. Quem paga por isso? Nós, trabalhadores e munícipes.

Que a nossa memória não se apague. 2012 vem aí!

Democracia – é assim que se faz?!

Sob o título “Oposição deve ter responsabilidade”, a diretoria do Sindserv/SBC publicou um texto no site da entidade nesta sexta-feira, 19 de agosto, novamente fazendo propaganda de si mesma, exaltando feitos não realizados e tecendo indiscriminadamente acusações à oposição.

Em se tratando desta diretoria, não é nenhuma novidade esse uso indevido da estrutura do sindicato, de seu site e dos boletins impressos que deveriam ser instrumentos de organização e de formação do funcionalismo público, ao invés de servirem para autopromoção e para calúnias contra trabalhadores.

O que surpreende é a desfaçatez com que a diretoria manipula informações, distorce fatos e mente, apresentando-se ao funcionalismo como os pais da democracia sindical e, pior ainda, tentando desmoralizar e colocar em descrédito os seus próprios associados.

É mais do que notório que, ao longo desta gestão, somente a Oposição Alternativa Democrática tem se apresentado publica e expressamente como “oposição à atual diretoria” do Sindserv, inclusive utilizando exatamente esta mesma expressão em vários de seus boletins. E por terem posicionamento crítico a esta gestão do Sindserv, os membros da Oposição Alternativa Democrática participam ativamente das atividades do Sindicato e, apesar dos inúmeros obstáculos criados pela própria diretoria, têm efetivamente atuado pelo fortalecimento do Sindicato e pelos direitos dos trabalhadores públicos, integrando Comissões Setoriais, contribuindo no planejamento, organização e realização de reuniões e
atos com a categoria. A Oposição Alternativa Democrática sempre incentivou a participação consciente e a sindicalização dos trabalhadores, demonstrando coerência, responsabilidade e compromisso com os interesses coletivos do funcionalismo público.

Fazendo uso desta notoriedade, a diretoria tenta induzir ao engano os trabalhadores ao usar a expressão “alternativa” (“a oposição teve quatro anos para construir uma alternativa à atual Diretoria”) e ao omitir sobre a quem está se referindo quando, em suas acusações, refere-se a “membros que fazem parte da oposição à atual diretoria” que teriam supostamente agido de forma antidemocrática. Assim, do modo que escreve, deixa largas margens para que os trabalhadores pensem que o grupo que teria feito as supostas baixarias seja a Oposição Alternativa Democrática.

Acontece que a Oposição Alternativa Democrática não tentou inscrever chapa para esta eleição, cujo processo já começa viciado pelo próprio Estatuto que favorece os que já estão  direção do Sindicato e, principalmente, os grupos que são apoiados pelo governo de plantão, como é o caso da atual diretoria do Sindserv, vinculada à CUT, central que tem trânsito livre dentro da administração, pois apóia e é berço político do prefeito Luís Marinho.

É verdade que “este Estatuto foi criado pela gestão anterior, justamente para dificultar a inscrição de chapas [mas não de todas as chapas, somente as das oposições!] e tentar manter eternamente na Direção o grupo que à época administrava o Sindicato”, porém, o que a atual diretoria não diz é que aquele grupo fez as alterações sob orientações da CUT que, repetimos, continua dando sustentação ao grupo que hoje dirige o Sindserv/SBC e à sua chapa. Em outras palavras: as pessoas podem não ser as mesmas da gestão anterior, mas a política de condução do Sindicato é. Diante disso, fica mais do que evidente que a atual diretoria não trabalhou pelas alterações no Estatuto para agora também utilizá-lo com a mesma finalidade, ou seja, tentar manter-se eternamente à frente da entidade e continuar servindo aos interesses da administração Marinho, e não aos trabalhadores.

É importante lembrar que tão logo a administração petista foi eleita onze diretores do Sindserv/SBC abandonaram a direção para assumir cargos de confiança na administração e ajudar na implementação da política de terceirização, desrespeito e desvalorização dos trabalhadores e das trabalhadoras públicas.

A ordinária comparação do processo de eleição do Sindserv com “uma partida de futebol num campo esburacado” é mais uma tentativa de ludibriar os trabalhadores públicos.

As dificuldades não são as mesmas e o processo é viciadíssimo, para não dizer autoritário! Em primeiro lugar porque quem joga no campo da administração tem uma larga vantagem sobre os adversários, já que goza do fácil trânsito entre as unidades administrativas – inclusive com a possibilidade de o próprio patrocinador indicar “jogadores” para o time e depois convocá-los para atuar na administração, quer dizer, na seleção; soma-se a isso o fato de que a chapa da diretoria é formada basicamente pelos membros da diretoria atual, que além de terem tempo livre para realizarem toda sorte de articulações, mesmo que a partir de regras preexistentes estabelecem as condições do jogo (quando começa, quando termina etc) e não apenas possuem acesso privilegiado às informações como também conduzem o processo de inscrição das chapas – de si mesma e das adversárias – atuando ao mesmo tempo como copatrocinadora, concorrente e juíza neste campeonato. Desta forma, a diretoria e sua chapa decidem com quem vão concorrer, e se vão concorrer com alguém.

No campeonato eleitoral patrocinado por esta diretoria, ela decidiu jogar sozinha para não correr o risco de perder o jogo.

Mais: O Estatuto do Sindserv estabelece que o Edital de Convocação das Eleições deve ser publicado em jornal de grande circulação na região, porém a diretoria publicou o Edital em um jornal de baixa circulação e, conseqüentemente, de poucos leitores. Por que será?

E outra: pelas regras do Estatuto do Sindserv, somente após a inscrição das chapas é constituída a Comissão Eleitoral, cujos membros são indicados pelas chapas inscritas e eleitos em assembléia. Ora, da mesma forma que é uma aberração pessoas não associadas concorrerem à disputa de uma entidade sindical, também não é de se estranhar que a Comissão Eleitoral, que deve conduzir o processo de eleição com independência e imparcialidade, seja constituída por membros e apoiadores das chapas?!

Agora, vejam a gravidade da situação: no caso da eleição em curso, como se já não bastassem inúmeras dificuldades criadas pelo próprio Estatuto, a diretoria convocou assembléia para eleição da Comissão Eleitoral para as 17h30, horário de serviço de grande parte do funcionalismo, criando, assim, novos obstáculos à participação dos trabalhadores e garantindo maioria na assembléia. Com esta manobra, a chapa da diretoria elegeu uma Comissão Eleitoral com membros indicadas por ela mesma. Dito de outra forma, quem julgaria um pedido de impugnação da chapa da diretoria, seria a própria chapa!!!

A isso se chama lisura do processo? A isso se chama transparência? Seria, de fato, “o mesmo campo, as mesmas regras e o mesmo juiz”?! Com todas as condições de favorecimento que tem a diretoria, a dificuldade em montar sua chapa só se deu mesmo pelo descrédito que angariou perante o funcionalismo!

O Estatuto do Sindserv dificulta a formação das chapas ao exigir que elas sejam compostas por funcionários de todas as unidades administrativas e condena ao esvaziamento do sindicato ao atrelar a uma única chapa a diretoria, o conselho fiscal e o conselho de representantes, que deveriam resguardar autonomia entre si. Como poderiam os pareceres do Conselho Fiscal ter qualquer credibilidade se este Conselho está comprometido politicamente com a diretoria que administra os recursos?

O Edital de Convocação das Eleições, publicado por esta diretoria, foi bem categórico ao estabelecer que nenhuma chapa seria inscrita se não estivesse conforme as exigências do Estatuto. Porém, a diretoria mente sem qualquer pudor ao dizer que em 2007 apresentou chapa completa e mente também ao dizer que nas eleições deste ano inscreveu sua chapa com representantes de todas as unidades administrativas. Basta ler o boletim nº 17, de agosto deste ano, para saber que a chapa da diretoria também está irregular, haja vista não ter representantes de todas as unidades administrativas.

 A diferença é que em 2007 a atual diretoria, após inscrever sua chapa sem cumprir as exigências do Estatuto, entrou com processo contra a impugnação e, nesta eleição, o presidente do sindicato, também candidato, inscreveu sua chapa incompleta e, apesar da arrogância com que a diretoria diz “Para tudo existem regras, e é obrigação de quem conduz o processo observá-las”, seguindo o velho lema “aos inimigos a lei” impugnou uma chapa concorrente pelos mesmos motivos!

De fato, a diretoria não se desviará nem um milímetro para fora da senda reta, pois está há quilômetros de distância dela!!! Inscrevendo a si mesma, e árbitra de um jogo sem concorrentes, quem garante que a diretoria não acrescentará retroativamente (se já não os acrescentou) os nomes que faltam para completar sua chapa?

À diretoria do Sindserv/SBC, que argumenta a legalidade de suas ações autoritárias sob a bandeira do Estatuto golpista, nunca é demais lembrar que também o regime militar teve, nas leis, a sustentação para a ditadura e para toda sorte de repressão.

Somente o desespero explica – mas não justifica – lamentável atitude. Desespero de quem sabe que está terminando um mandado de quatro anos sem ter cumprido os seus compromissos, sem ter conquistado melhorias de trabalho e de salário para toda a categoria e, para piorar, de quem pouco contribuiu para elevar o nível de organização dos trabalhadores; desespero de quem deveria representar os trabalhadores, porém, à frente da direção do Sindserv, coloca em primeiro lugar os interesses de seu partido e, na condução dos atos e assembléias, costuma se apresentar mais como “advogado” da administração petista do que representante dos trabalhadores;  desespero de quem entregou de bandeja as campanhas salariais durante sua gestão, assistindo calados a administração jogar trabalhadores contra trabalhadores ao organizar reuniões em horário de serviço com setores do funcionalismo para forçá-los a acatar suas imposições, numa atitude de explícito desrespeito à autonomia sindical; desespero de quem vendeu a campanha salarial deste ano por míseros 6% de reajuste e, de quebra, matou a campanha salarial de 2012, ao dividir este reajuste, atrelando-o à campanha do ano que vem e, ainda, proclama cinicamente esta vergonha como uma grande conquista dos trabalhadores públicos; finalmente, desespero de quem, para ser eleito, assumiu o compromisso de mudar o estatuto autoritário do sindicato e agora vem com desculpas esfarrapadas por não ter feito as mudanças necessárias!

Além do mais, para bom entendedor a meia palavra basta, pois a desculpa dada pela diretoria deixa bem claro que não pretende promover as assembléias para que o funcionalismo torne democrático o Estatuto de seu Sindicato.

Afinal, façamos de conta que a gente acredita que, em quatro anos, a diretoria não tentou realizar as mudanças estatutárias em razão dos múltiplos ataques da administração Marinho aos direitos dos trabalhadores e por conta da quantidade de sócios do Sindicato. Então, se for assim, este Estatuto não mudará nunca!

Primeiro porque o papel do Sindicato é exatamente organizar a luta pela garantia dos direitos dos trabalhadores (coisa que a atual diretoria fez pessimamente), e como ainda estamos no capitalismo, tanto administrações petistas – que se dizem de esquerda –, como outras administrações declaradamente de direita ou de centro, estão comprometidas predominante ou integralmente com a manutenção do capitalismo, e não com os direitos dos
trabalhadores!

A segunda desculpa é ainda mais pitoresca! A não ser que a diretoria cutista esteja torcendo pelo aprofundamento das terceirizações e continue atuando de forma a ampliar o descontentamento da categoria com a sua organização sindical para que as desfiliações caminhem a passos largos até o Sindicato ter uma quantidade bem pequena de sócios…

Quanto disparate! A diretoria alega dificuldades em mudar o caráter golpista e autoritário do
Estatuto, mas não teve dificuldade nenhuma em realizar assembléia para aumentar o valor das mensalidades!

Temos certeza de que a maioria das pessoas que deu o nome para a formação da chapa da diretoria não tem conhecimento desses fatos, e, mais do que isso, não concorda, não apóia e não compactua com essas manobras típicas da política cutista, por isso fazemos um chamado público para estes colegas retirarem seus nomes da chapa da diretoria e construir, com a Oposição Alternativa Democrática, ações concretas pela união dos trabalhadores e pela democratização e fortalecimento da organização sindical.

Mesmo com mais esta ação irresponsável e de baixo nível da diretoria do Sindserv, a Oposição Alternativa Democrática continuará ao lado dos trabalhadores com quem e por quem sempre esteve na luta. Por isso, convocamos todos e todas para continuar participando
da luta por um PCCS construído pelo funcionalismo e contra o Projeto de Lei autoritário e equivocado do SBCPrev.

Nosso orgulho não está em conquistar poder, mas sim em poder conquistar coletivamente condições dignas de trabalho, salários decentes, valorização e respeito para todas e todos os trabalhadores e trabalhadoras, sem distinção!

OPOSIÇÃO ALTERNATIVA DEMOCRÁTICA

AGOSTO DE 2011

SBCPrev: Ação dos trabalhadores impede votação. A próxima batalha é dia 31 de agosto!

Em 24 de agosto, última quarta-feira, os vereadores de São Bernardo do Campo tentaram votar o Projeto de Lei que cria a SBCPrev sem permitir que os trabalhadores públicos, principais interessados na matéria, tenham tempo de discutir.

Entre vários problemas apresentados (26, segundo o Conselho Gestor da Fuprem), os principais estão a perda do poder de representatividade dos funcionários públicos, a criação de cerca de 40 cargos comissionados com salários exorbitantes, e sem a exigência de serem funcionários de carreira e, com isso, o aumento  estratosférico dos gastos com a autarquia, que passará à casa dos 5 milhões de reais ao ano, custeados pelos nossos próprios salários e pelos impostos pagos pelos municípies de nossa cidade.

Se o PL que cria a SBCPrev for aprovado, os funcionários públicos de São Bernardo do Campo perderão o poder de decidir os rumos da previdência e, ainda, terão sua futura aposentadoria nas mãos de pessoas que não fazem parte do quadro do funcionalismo público sãobernardense.

As Comissões da Câmara Municipal que dão os pareceres jurídicos e financeiros a respeito dos projetos de leis apresentados não aprovaram a PL da SBCPrev, ao contrário, apontaram diversas irregularidades. E embora tramite no Congresso Nacional um PL que estabelecerá novas regulamentações sobre as previdências públicas (o que poderá fazer com que a SBCPrev seja aprovada já natimorta), a administração Marinho insiste em manter o regime de urgência para a votação.

15 dos 21 vereadores votaram com o governo municipal contra o adiamento da votação, impossibilitando que os funcionários públicos conheçam e debatam o PL da SBCPrev.

A bancada de sustentação, ainda, tentou passar uma rasteira nos servidores: após pausar a sessão por 30 minutos com o pretexto de conversar com representantes do Conselho Gestor da Fuprem, Sindserv e representantes das Comissões Setoriais, em uma sala anexa na Câmara, e quando este tempo estava chegando ao fim sem que as emendas apresentadas no dia pela administração tivessem sido discutidas, o líder do governo propôs que os vereadores fossem ao plenário para adiar a sessão por mais 30 minutos e logo em seguida retornassem à sala para discutir as emendas com os representantes dos servidores, sugerindo que os mesmos aguardassem, na sala, o retorno dos vereadores.

Estando na sala neste momento, alertei aos demais colegas que não deveríamos aguardar o retorno dos vereadores porque poderíamos estar sendo vítimas de uma manipulação, o que gerou desconforto entre os vereadores e protesto particular de um deles, que gritou que eles não eram moleques para falar uma coisa e fazer outra.

Tivéssemos esperado na sala, o golpe estaria completo, pois o líder do PT, ao invés de propor a suspensão da sessão por mais 30 minutos, estava propondo que os vereadores votassem para que a sessão fosse considerada permanente. Esta manobra foi denunciada pelos servidores e vereadores da oposição. Contudo, a despeito das manifestações dos presentes, os 15 vereadores permaneceram indiferentes e insensíveis aos apelos dos funcionários públicos.

Ato contínuo, após a leitura do parecer jurídico, contrário à PL do SBCPrev, o presidente da Casa tentou colocar em votação a aprovação de tal parecer, o que levou os trabalhadores a ocuparem o plenário da Câmara para impedir a votação.

A este respeito, é necessário esclarecer que a possibilidade de ocupação do plenário da Câmara foi debatida na Assembleia do dia 18 de agosto, no Sindserv, tendo sido sugerida pela Oposição Alternativa Democrática que, na ocasião, já apontava como elemento indicativo desta necessidade o fato de a Comissão Mista ter se recusado a aprovar, no dia da audiência pública (terça-feira, 16 de agosto), o requerimento para que o executivo municipal retirasse o PL da Câmara, adiando tal discussão para quinta-feira (18), a portas fechadas. A avaliação feita pela Oposição Alternativa Democrática mostrou-se correta quando, no dia 24, durante a sessão, tivemos conhecimento de que a Comissão Mista, composta pelas lideranças dos partidos na Câmara, rejeitou o requerimento de retirada da PL.

O mais importante é que a sugestão foi certeira, porque a ação deu resultado. Se bem que é no mínimo antiético os diretores do Sindserv continuarem utilizando as mídias do Sindicato para autopromoção ao tentar vender a imagem de que foram eles que, no calor do momento durante a sessão, tiveram a ideia de ocupar o plenário.

Quem esteve na assembleia do dia 18, no Sindserv, foi testemunha de que um dos diretores, inclusive, chamou de demagogia as propostas da Oposição Alternativa Democrática que, aliás, foram todas mais uma vez aprovadas na assembleia (entre as quais: ato contra a SBCPrev durante o desfile cívico-militar, com distribuição de informativos aos munícipes e faixa com os dizeres “Não à SBCPrev”; e ocupação da plenária caso os vereadores insistissem em votar o PL).

Com o adiamento da votação da SBCPrev, ganhamos mais fôlego para nos organizarmos para a sessão do dia 31 de agosto. Somente a organização e mobilização geral do funcionalismo poderá garantir que os servidores conquistem o direito de debater e decidir sobre os rumos da previdência pública municipal. Converse com os colegas em seu local de trabalho, organize-se, convide familiares, amigos e moradores de nossa cidade para tentarmos impedir que o PL da SBCPrev seja votado sem a discussão com a categoria.

Como cantava Geraldo Vandré, “quem sabe faz a hora e não espera acontecer!

***

Notas importantíssimas da Pedra Lascada:

Vereadores que, no dia 24 de agosto, votaram pelo adiamento da votação para que os trabalhadores tenham tempo de discutir: Admir Ferro (PSDB), Tudo Azul (PSDB), Vandir Mognon (PSB), Estevão Camolesi e Marcelo Lima (PPS).

Vereadores que, no dia 24 de agosto, votaram contra o adiamento da votação, pela votação mesmo sem discussão coletiva entre o funcionalismo: Toninho da Lanchonete (PT), Zé Ferreira (PT), Tião Mateus (PT), Paulo Dias (PT), Luizinho (PT), Matias Fiuza (PT), Pastor Ivanildo (PSB), Miranda da Fé (PSB), Ary de Oliveira (PSB), Cabrera (PSB), Gilberto França (PSB), Tunico Vieira (PMDB), Fábio Landi (DEM), Mauro Miaguti (DEM), Sergio Demarchi (PSB).

Ausente: Wagner Lino (PT).

***

Vereador que, um dia após a manifestação do funcionalismo público,  felizmente mudou seu posicionamento: Sérgio Demarchi (PSB).

O Sr. Sérgio Demarchi, em resposta ao pedido de não votar a PL da SBCPrev sem a devida discussão entre o funcionalismo, assim respondeu (grifos nossos):

“From: sergiodemarchi@camarasbc.sp.gov.br
To: blogdapedralascada@hotmail.com
Subject: RES: pedido de retirada do projeto
Date: Thu, 25 Aug 2011 09:56:11 -0300

Prezado Marcelo,

 

Em vista dos pontos polêmicos que tem suscitado e após leitura atenta das alterações propostas pelo colegiado de funcionários municipais ao projeto de criação da SBCPrev, defendo que o mesmo deva ser retirado pelo Executivo ou, então, tenha sua votação adiada por um número suficiente de sessões que permita uma análise profunda por parte dos vereadores, bem como um amplo debate com os funcionários, de forma que se possa chegar a uma alternativa que concilie os interesses da Administração Municipal e do funcionalismo público.

 

É a minha opinião, e que Deus me ilumine.

 

SÉRGIO DEMARCHI

Vereador”

***

De nossa parte, teremos o maior prazer em divulgar que o Sr. Sérgio Demarchi, na sessão do dia 31 de agosto, esteve desta vez ao lado dos trabalhadores. Estaremos lá para conferir!

[M.S.]

A “Família Doriana”

Nota da Pedra Lascada: Este texto, já com algumas alterações, é fragmento de trabalho referente ao curso Família, Comunidade e Projeto Pedagógico na Educação Infantil, da Pós em Ed. Infantil. [M.S.]

***

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
– Psiu… Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro… que fundo!

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

[Carlos Drummond de Andrade¹]

***

Longe de intencionar tecer crítica literária, ou desvelar o quão autobiográfico é este poema e, assim, tentar mensurar em que momento, e até qual limite, o poeta fala realmente de uma  infância vivida ou se coloca enquanto personagem narrador de uma história fictícia, baseada ou não em fatos reais, “Infância” nos remete a um modelo de família do tipo nuclear burguês, ou, em outras palavras, a “família nuclear conjugal moderna – quer dizer, pai, mãe e filhos” (SZYMANSKI, 2001, p. 13).

Se fôssemos traçar, também, um perfil sócio-econômico desta família, ainda que desconhecêssemos totalmente a biografia do autor, vários elementos neste poema nos levariam a afirmar que se trata de uma família em condições econômicas privilegiadas: o pai cavalgando enquanto a criança ficava lendo livro; a mãe cosendo enquanto a empregada, “que aprendeu a ninar nos longes da senzala”, preparava o café…

Mais do que isso, as repetições (pai montado a cavalo, mãe cosendo, empregada que chama para o “café preto que nem preta velha, café preto, café bom”), além de reforçar a idéia de uma vida que segue seu curso mansamente, sem sobressaltos, num clima de ordem e de harmonia, reiteram papéis socialmente atribuídos em conformidade com um dado modo de produção – o capitalista: o pai, literalmente representado como uma figura hierarquicamente superior, distante e vendo o mundo do alto, acima do nível do chão; a mãe, entretendo-se em um passatempo e sendo observadora atenta dos acontecimentos do lar (tão vigilante e cuidadosa – imagem culturalmente construída, e exigida, das mães – que, enquanto cose, percebe um mosquito pousando no berço); a criança igualmente aproveitando seu tempo ocioso, e não ajudando na lida, como o fazem comumente as crianças das famílias pobres; a empregada desprovida de características e qualidades pessoais autônomas, posto que suas características (“preta”) e suas qualidades (“boa”) são associadas com o objeto e o produto de seus afazeres domésticos, como se o narrador, intencionalmente ou não, dissesse do pai: vale pelo que tem; da mãe: vale pelo que é; da empregada: vale pelo que faz.

Obviamente poetas não são anjos, não são intocáveis nem politicamente neutros. Porém, advertimos que, com esta interpretação possível, não intencionamos estabelecer um tribunal ideológico a fim de absolver ou condenar moralmente Carlos Drummond de Andrade.

Ressaltamos, isto sim, o mérito do poeta em retratar tão bem um modelo de família historicamente construído, e que insiste em permanecer em nosso imaginário como o de uma família estruturada, modelo ambicionado no discurso de muitos educadores que, ao analisarem as razões do fracasso escolar, geralmente o atribuem, entre outras causas predominantemente externas, à suposta desestruturação familiar, sem levarem em conta, contudo, que “família desestruturada não quer dizer mais do que uma família que se estrutura de forma diferente do modelo de família nuclear burguês” (SZYMANSKI, 2001, p. 68).

Aliás, aproveitando as analogias possibilitadas pelo poema de Drummond, o discurso presente em “Infância” só nos faz reafirmar que

               “… a família se delimita simbolicamente, a partir de um discurso sobre si própria, que opera como um discurso oficial. Embora culturalmente instituído, ele comporta uma singularidade. Cada família constrói sua própria história, ou seu próprio mito, entendido como uma formulação discursiva em que se expressam o significado e a explicação da realidade vivida, com base nos elementos objetiva e subjetivamente acessíveis aos indivíduos na cultura em que vivem. Os mitos familiares, expressos nas histórias contadas, cumprem a função de imprimir a marca da família, herança a ser perpetuada”. (SARTI, 2004, p. 14)

Além disso, Heloísa Szymanski (2001), em estudo sobre a relação família e escola, ao analisar os discursos sobre o conceito de família, concluiu que a família que se pensa é bem diferente da família que se vive:

“… as pessoas, sempre que falavam da vida da sua família, pareciam estar a compará-la com alguma ‘outra’ família. Esta parecia ser a certa, a boa, a desejável e a família que se vivia era a ‘diferente’.

Em alguns casos, aquela outra família – que chamaremos daqui para diante  de ‘pensada’ – pedia uma organização que era impossível dentro das circunstâncias vividas”. (…)”

“Em outros casos, a família que se vivia era vista como um desvio de um modo ‘estabelecido’ de se viver”. (p. 20-21)

Certamente, a família retratada por Drummond, a família de sua infância longínqua e romantizada, tem muito de “família pensada” e menos de “família vivida”. Entretanto, o poeta não está sozinho, pois é muito mais a partir de um conceito idealizado de família do que a partir do reconhecimento do caráter plural de constituição familiar – e de construção de identidades – que, muitas vezes, lidamos com as famílias usuárias da escola e com os educandos.

Não à toa, utilizamos como subtítulo deste artigo, a popular expressão “Família Doriana”,
haja vista que

as experiências vividas e simbolizadas na família têm como referência definições cristalizadas de família socialmente instituídas pelos dispositivos jurídicos, médicos, psicológicos, religiosos e pedagógicos, enfim, os dispositivos disciplinares existentes em nossa sociedade, que têm nos meios de comunicação um veículo fundamental, além de suas instituições específicas. Essas referências constituem os “modelos” do que é e deve ser a família, fortemente ancorados numa visão de família como uma unidade biológica constituída segundo as leis da ‘natureza’”. (SARTI, 2004, p.16)

Por isso mesmo que Szymanski (2001, p. 34) recomenda, entre outras coisas, que aqueles que pretendem trabalhar com famílias devem, primeiramente, refletir criticamente sobre as próprias experiências com sua família e procurar “conhecer os valores, crenças e mitos que foram se desenvolvendo a respeito do que é família.”

Exatamente aí em que nós educadores nos situamos, queiramos ou não, pois, no cotidiano de nossas práticas profissionais, nos deparamos com as múltiplas estruturas familiares, que se confrontam com os modelos cristalizados e preconcebidos do que é ser família; modelos que, por sua vez, também geralmente não correspondem sequer à nossas próprias estruturas familiares vividas.

O desenvolvimento de práticas educativas emancipatórias, ou minimamente éticas, depende do reconhecimento e do respeito a essa pluralidade, além de muita autovigilância, pois “há uma tendência a projetar a família com a qual nos identificamos – como idealização ou como realidade vivida – no que é ou deve ser a família, o que impede de olhar e ver o que se passa a partir de outros pontos de vista” (SARTI, 2004, p.16).

Por outro lado, as dificuldades em construir projetos pedagógicos que contribuam para a construção e consolidação de sociedades verdadeiramente democráticas relacionam-se com as nossas dificuldades em superar visões idealistas de educação, de família e de sociedade, dificuldades essas reforçadas pelos muitos preconceitos que permeiam as relações humanas, tanto no sentido do olhar das famílias para a escola, sobre o que é e quem pode ser educador, por exemplo, ou o seu papel, quanto no sentido do olhar da escola, na figura de seus profissionais, para as famílias (igualmente sobre o que é uma família, quem a constitui, seu papel etc).

Entender estes mecanismos e reconhecer suas variáveis pode nos dar pistas para os caminhos necessários a serem trilhados no sentido de uma educação humanizadora.

***

¹Carlos Drummond de Andrade é considerado um dos maiores poetas brasileiros. Particularmente, sou suspeito para falar a seu favor, porque desde que o descobri, lá pelos meus 14 anos, foi paixão à primeira vista. Infelizmente, a data de hoje (17 de agosto), é o vigésimo quarto ano de sua morte. O Poeta bem que merecia mais que uma nota no rodapé de um lascado indivíduo da Pedra Lascada, mas não sou tão dígno a esse ponto… Viva o Mineirinho!!!