Reflexões sobre coletivismo, individualismo e alguns mitos

Educação é prática coletiva e um coletivo não é meramente uma soma de indivíduos; é um organismo que se constrói pela ação de sujeitos com suas subjetividades e que compartilham concepções e princípios comuns – sujeitos que dialogam a partir de suas individualidades, se comprometem e se responsabilizam no e pelo processo, sabendo que este é tão importante quanto o resultado, porque é daquele que se origina a boa ou má qualidade deste.

É certo que um coletivo não se constrói ao vento,  por osmose ou por geração espontânea – ele é fruto de trabalho e da ação consciente, planejada, coerente e consequente de lideranças. Neste sentido, tomando como referência um importante teórico revolucionário que dizia que a crise do movimento revolucionário é a crise da direção revolucionária, precisamos reconhecer que em certa medida as dificuldades de uma coletividade são reflexos de dificuldades da direção dessa coletividade.

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Sobre a condenação de Leon Lins, o “comeliante”

A CONDENAÇÃO DE LEO LINS É UM LIBELO EM DEFESA DA HUMANIDADE E DA HUMANIZAÇÃO.

Disse um conhecido que a condenação (mais do que justa, necessária!) do “comeliante” Leo Lins seria uma aberração porque baseada em lei que teria sido criada pelo STF. Neste momento, não vou entrar no mérito da falsidade de que o STF criaria leis (não cria!), porque a cebola das fakes é feita de tantas camadas que precisamos descascar uma a uma.

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Mulher pede licença-maternidade de bebê reborn

Não é uma matéria do Sensacionalista, infelizmente…

A vivência no mundo da fantasia, que a gente tanto defende para as crianças, não deveria ser motivo de chacota.

Quando nós adultos imergimos em jogos de videogame e afins nada mais estamos fazendo do que fantasiando a realidade; quando as pessoas saíam (não sei se ainda saem) pelas ruas apontando celulares pelos cantos à caça de Pokemons, por exemplo… pura fantasia,  fuga da realidade que, de tão pesada, carece sim de um escape.

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Amor

Amor é música constante
Cantada em voz miudinha
Descompasso e dissonante
A um passo que não tinha.

Só a ouve não quem a toca
Mas quem por ela é tocado
Bem no canto de tua boca
Num sorriso disfarçado.

Cavaleiro imaginário
A cavalgar um alazão
À margem esquerda do rio
Em que repousa o coração.

Está onde não se procura
De tantas faces, muitas vestes
Ora iluminada, ora escura
Se lança a céus azuis celestes.

[M.S.]

Pretexto

sem ter tido
  um sentido
além do dito
ou do escrito
compreendido
              o contexto
às vezes um texto 
é só um pretexto

nem tudo de mim
     é sobre mim
     às vezes é meio
  pelo qual semeio
            outras vezes
em si mesmo
                            é fim

    às vezes é só
       outras, sim

[M.S.]

Por que me tornei professor…

Um fantasma ronda a Europa” … 

Um fantasma ronda a Europa, o Brasil e, especialmente, as primeiras aulas de todos as disciplinas dos cursos de Magistério, dos cursos de Pedagogia, dos cursos de especializações…  Também do início dos cursos de aperfeiçoamentos pedagógicos às primeiras semanas do início na profissão e volta-e-meia quando nos deparamos com novos colegas ou, ainda, nas dinâmicas e nutrições de recepções de equipes ronda o fantasma daquela velha e eterna novidade, que é a pergunta: “Por que me tornei professor?” 

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Vênus

Para Vivi – flor de março, presente de abril

sobre o céu de Marte
brilha o Sol de março
solitário
ventos varrem as colinas
levantam a poeira
vazios de poesia

sobre o chão rubro
fantasmas rasgam fantasias
e seus uivos, tal como lobos
sob Deimos
sob Fobos
são ocos - não os ouço

distante distante e a um passo
de um sonho, de um traço
no planisfério, no espaço
onde o globo sobrevoa
e os olhos nus alcançam
no lado oposto lá está ela

ao calar a noite
ao fechar de março
a estrela da manhã estreia
no outono sua primavera

uns a chamam de Vênus
outros a chamam de deusa
pela sua força vulcânica
pela sua chama ardente
a chamamos simplesmente
                                        amor

[M.S. – Mar/2024]

Imagem em destaque: “O Nascimento de Vênus”, de Sandro Botticelli (1484-1485)

1977

sob o signo do sonho
nas bordas do firmamento
o chão a chuva a seca
lá fora ou cá dentro
      não sei
pobre terra rica
pés descalços, brasis
rubra poeira
pele em brasa

sob o fervo de fevereiro
a gélida sentença
  o desengano
impossível a existência
tão leve a criança
- coração paranapanema
mente em curto
      curta a vida
  curto o tempo
leva para casa leva ela
e tudo que ela leva
      e eleva as mãos

      mas não

sob o forno a fé
o enfrentamento
o ranger das madeiras
    das paredes
o silvo do vento ao cruzar
   das frestas

sob o sereno os poros
os porões d'outros verões
     o fogo vindouro
entre o café e o algodão
as vacas e os seus frutos
a cana e os moinhos
as mãos moídas os calos
   os prantos calados

da obstinação da mãe
da teimosia do pai
da natural tepidez
de substâncias compostas
do barro
  da carne
   da alma
    da tez
dos trinta e seis
o pulsar do filho improvável
possível se fez

[M.S. - Fev./2024]

2024


Imagem em destaque: Ligth is Time – Instalação criada com 65 mil relógios)