Não chamarei juiz de herói, assim como não chamo político de mito nem de painho. É vasta a literatura que trata dessa antiga ideologia (poderíamos chamar de fenômeno?) de idolatria a pessoas, da ultrapersonalização e do fanatismo que entorpece análises reflexivas, que embaça a visão e que representa e prenuncia perigos recorrentes nesse endeusamento de pessoas…
Continuar lendo “Golpistas não passaram e não passarão.”Tag: Destaque
Reflexões sobre coletivismo, individualismo e alguns mitos

Educação é prática coletiva e um coletivo não é meramente uma soma de indivíduos; é um organismo que se constrói pela ação de sujeitos com suas subjetividades e que compartilham concepções e princípios comuns – sujeitos que dialogam a partir de suas individualidades, se comprometem e se responsabilizam no e pelo processo, sabendo que este é tão importante quanto o resultado, porque é daquele que se origina a boa ou má qualidade deste.
É certo que um coletivo não se constrói ao vento, por osmose ou por geração espontânea – ele é fruto de trabalho e da ação consciente, planejada, coerente e consequente de lideranças. Neste sentido, tomando como referência um importante teórico revolucionário que dizia que a crise do movimento revolucionário é a crise da direção revolucionária, precisamos reconhecer que em certa medida as dificuldades de uma coletividade são reflexos de dificuldades da direção dessa coletividade.
Sobre a condenação de Leon Lins, o “comeliante”
A CONDENAÇÃO DE LEO LINS É UM LIBELO EM DEFESA DA HUMANIDADE E DA HUMANIZAÇÃO.
Disse um conhecido que a condenação (mais do que justa, necessária!) do “comeliante” Leo Lins seria uma aberração porque baseada em lei que teria sido criada pelo STF. Neste momento, não vou entrar no mérito da falsidade de que o STF criaria leis (não cria!), porque a cebola das fakes é feita de tantas camadas que precisamos descascar uma a uma.
Mulher pede licença-maternidade de bebê reborn
Não é uma matéria do Sensacionalista, infelizmente…
A vivência no mundo da fantasia, que a gente tanto defende para as crianças, não deveria ser motivo de chacota.
Quando nós adultos imergimos em jogos de videogame e afins nada mais estamos fazendo do que fantasiando a realidade; quando as pessoas saíam (não sei se ainda saem) pelas ruas apontando celulares pelos cantos à caça de Pokemons, por exemplo… pura fantasia, fuga da realidade que, de tão pesada, carece sim de um escape.
Sem anistia!
Não guardo ilusão alguma e tenho muitas críticas ao judiciário, que é uma casta corporativista, altamente privilegiada e que, em última instância, sempre se coloca contra os direitos dos trabalhadores.
Continuar lendo “Sem anistia!”Amor
Amor é música constante
Cantada em voz miudinha
Descompasso e dissonante
A um passo que não tinha.
Só a ouve não quem a toca
Mas quem por ela é tocado
Bem no canto de tua boca
Num sorriso disfarçado.
Cavaleiro imaginário
A cavalgar um alazão
À margem esquerda do rio
Em que repousa o coração.
Está onde não se procura
De tantas faces, muitas vestes
Ora iluminada, ora escura
Se lança a céus azuis celestes.
[M.S.]
Pretexto
sem ter tido
um sentido
além do dito
ou do escrito
compreendido
o contexto
às vezes um texto
é só um pretexto
nem tudo de mim
é sobre mim
às vezes é meio
pelo qual semeio
outras vezes
em si mesmo
é fim
às vezes é só
outras, sim
[M.S.]
Por que me tornei professor…
“Um fantasma ronda a Europa” …

Um fantasma ronda a Europa, o Brasil e, especialmente, as primeiras aulas de todos as disciplinas dos cursos de Magistério, dos cursos de Pedagogia, dos cursos de especializações… Também do início dos cursos de aperfeiçoamentos pedagógicos às primeiras semanas do início na profissão e volta-e-meia quando nos deparamos com novos colegas ou, ainda, nas dinâmicas e nutrições de recepções de equipes ronda o fantasma daquela velha e eterna novidade, que é a pergunta: “Por que me tornei professor?”
Vênus
Para Vivi – flor de março, presente de abril
sobre o céu de Marte
brilha o Sol de março
solitário
ventos varrem as colinas
levantam a poeira
vazios de poesia
sobre o chão rubro
fantasmas rasgam fantasias
e seus uivos, tal como lobos
sob Deimos
sob Fobos
são ocos - não os ouço
distante distante e a um passo
de um sonho, de um traço
no planisfério, no espaço
onde o globo sobrevoa
e os olhos nus alcançam
no lado oposto lá está ela
ao calar a noite
ao fechar de março
a estrela da manhã estreia
no outono sua primavera
uns a chamam de Vênus
outros a chamam de deusa
pela sua força vulcânica
pela sua chama ardente
a chamamos simplesmente
amor
[M.S. – Mar/2024]
Imagem em destaque: “O Nascimento de Vênus”, de Sandro Botticelli (1484-1485)
1977
sob o signo do sonho
nas bordas do firmamento
o chão a chuva a seca
lá fora ou cá dentro
não sei
pobre terra rica
pés descalços, brasis
rubra poeira
pele em brasa
sob o fervo de fevereiro
a gélida sentença
o desengano
impossível a existência
tão leve a criança
- coração paranapanema
mente em curto
curta a vida
curto o tempo
leva para casa leva ela
e tudo que ela leva
e eleva as mãos
mas não
sob o forno a fé
o enfrentamento
o ranger das madeiras
das paredes
o silvo do vento ao cruzar
das frestas
sob o sereno os poros
os porões d'outros verões
o fogo vindouro
entre o café e o algodão
as vacas e os seus frutos
a cana e os moinhos
as mãos moídas os calos
os prantos calados
da obstinação da mãe
da teimosia do pai
da natural tepidez
de substâncias compostas
do barro
da carne
da alma
da tez
dos trinta e seis
o pulsar do filho improvável
possível se fez
[M.S. - Fev./2024]









