Visão da Cidade

Vejo a usina...
Não posso transmitir a imagem dela
Com a avenida ao seu lado
Com as casas ao seu redor
Com as fumaças saindo das chaminés
E acima o céu cinzento.

Santo André, daqui, é tão pequena,
Ainda assim não é tudo...
Esses prédios, esse concreto,
Essa dura realidade
(realidade de concreto!)
Ainda inspira alguma poesia...

Pedaços de mata devastada
Ocupados pelas casas, prédios, ruas,
Como uma ferida
Que jamais vai cicatrizar.
Como uma infecção
Intensa, intensa...

[M.S. - 1995/96]

Imagem em destaque: Flickr.com

Raízes (Sil de Jesus)

Tenho sucumbido muitas vezes.
Depois, respiro fundo,
levanto,
lavo o rosto,
sigo em frente.
Não é fácil morrer,
mais difícil é renascer,
fingir-se de sol,
cegar-se na luz,
sonhar com a lua,
e tragar o mar.

Eu sigo renascendo,
não sei mais para
onde seguir.
Abracei minhas raízes
e me permitir subir.

[Sil de Jesus]

Sil de Jesus – Poetisa, terapeuta e servidora pública.

Resenha: O Corpo Feminino em Revistas (Saulo Ferro)

Por Saulo Ferro

FIGUEIREDO,Débora de Carvalho; NASCIMENTO,Fábio Santiago; RODRIGUES,Maria Eduarda. Discurso, culto ao corpo e identidade: representações do corpo feminino em revistas brasileiras. Linguagem em (Dis)curso – LemD, Tubarão, SC, v. 17, n. 1, p. 67-87, jan./abr. 2017.

REFERÊNCIAS

ALBERONI,Francesco. O Erotismo: Fantasias e Realidades do Amor e Sedução. Garzanti Editore s.p.a., 1986.


O artigo “Discurso, culto ao corpo e identidade: representações do corpo feminino nas revistas brasileiras”,  produzido como material de extensão do projeto de pesquisa “A representação das identidades corporais no discurso midiático: o papel do culto ao corpo na construção das identidades femininas na modernidade tardia”, apresenta como o mercado brasileiro padroniza, através do consumismo e da teoria cultural, a estética feminina através de gatilhos psicológicos, sociais e monetários.

Continuar lendo “Resenha: O Corpo Feminino em Revistas (Saulo Ferro)”

2018

Prometo não dizer nunca;
e de prometer jamais me contrariar
- nunca antes, nunca depois, sempre agora...

Um instante preso dentro de uma garrafa
opaca e sem tampa;
Um instante pronto para ser bebido
até a última gota,direto do gargalo
para a garganta.

Prometo escolher só as palavras erradas
- as mais rotas, irregulares e inexatas
Para que todos os sentidos sejam possíveis,

Para que nenhuma palavra
seja sentida, mesmo que linda
e tudo seja incompreensível
e ao mesmo tempo cristalino
como o brilho de uma sinapse
em seu ápice,
no instante em que finda.

Prometo não dizer prometo
e não arrancar da pele a flor,
à flor da pele,
quando exausto,
num silêncio incauto e ao infinito,
soltar um grito em série.

Prometo não dizer mais nada
Prometo não guardar segredo
e ainda (o que à memória agrada)
- prometo não esquecer do medo.

[M.S.]