Estamos em greve!

Estamos em greve!

Desde o dia 27 de Março os funcionários públicos de São Bernardo do Campo estão em greve, em sua maioria professoras e professores. Mas vocês sabiam que ao contrário do que pensam alguns, inclusive o prefeito da cidade, não gostamos de estar? Não gostamos de estar longe das nossas crianças, dos espaços de nossas escolas e dos nossos projetos. Ao contrário! Sabemos bem do papel que desempenhamos na sociedade e lidamos com sentimentos de culpa e frustração diariamente. Eu por exemplo, gostaria de estar fazendo tinta com o Urucum que deixamos secar, ele deve estar perfeito agora. Seria uma delícia escorregar no morro e ler história embaixo da sombra da árvore no gramado. Sem contar o calendário de abril que ainda não foi feito… Talvez o casulo já esteja vazio. Me pergunto também se perdemos a oportunidade de observar alguma chuva da janela. São tantas as narrativas que se fazem no cotidiano… Elas fazem falta! Fazem falta para as crianças, fazem falta para os professores. Não fazia parte do plano de ninguém parar, deixei um cartaz para terminar na sala dos professores, tesoura e cola também.

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Embalo

Embala-se no ar
Ao som da nova canção
Sob o áureo luar
Palpitando o coração.

Ao longe o mar
Perfazendo a emoção
Navegar, navegar!...
Perder-se na razão.

Em transe albaroar
Sem qualquer objeção
No cais da mente açodar
Parte-a-parte o coração.

Embala-se na noite
O silêncio suave
Passos d'um coiote
E um cingir de chave...

[M.S.]

Imagem em destaque: Johannes Plenio em Pexels.com

Carta aberta ao Prefeito de SBC, Orlando Morando

Olha aqui, #orlandomorando,

Você sabe da história, assim como grande parte da categoria sabe, de que no funcionalismo existiu uma fissura por muitos anos. Uma fissura alimentada pelo governo anterior, seu adversário; uma fissura criada a partir das diferenças de concepções políticas sobre organização e condução sindical; uma fissura que culminou em uma eleição sindical insana, a qual não falarei agora e que pessoalmente me fez tão mal que tive de me afastar da participação nas ações do sindicato, a qual eu pertenço e sou filiado há 24 anos – e que também afastou muita gente boa da participação nos movimentos e até nas lutas por nossos direitos.

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Independência

Independência da morte
presos na ponte
estamos sem sorte
no alto do monte

Independência da sorte
presos no monte
estamos sem morte
no alto da ponte

Independência do monte
presos na sorte
estamos sem ponte
no alto da morte

Na ponde da morte
do monte sem sorte
na ponte do monte
da sorte sem morte

Independência!
no monte da morte
estamos presos no alto
- a morte sem sorte

[M.S.]

Imagem em destaque extraída de Pixabay

Semântica

Aprendi desde há muito 
a sutileza das palavras;
a intuir nas entrelinhas
gestos e intenções não reveladas;
a compreender o que está sendo dito
naquilo que não está escrito.

Um substantivo mal colocado,
um adjetivo inocentemente à mingua,
um advérbio que escapa pelos dedos,
ou que escorre pela língua,
revelam segredos.

O que não sei pela omissão
completo com a imaginação
- peças se encaixam, se desencaixam
e, como um animal ferido,
mas vivo, prossigo.

Atribuo sentidos ao que leio
desnudo o que percebo
com a emoção
e com a razão
resvalo em medos
desvelo segredos.

[M.S.- Março/ 2023]


Imagem em destaque: Pieter Bruegel

Domingo Deserto

DOMINGO
                    comum, sem gritos ressoantes
aguardo o novo dia
que de tão esperado
já envelheceu

não é noite, não é dia
é tarde
   tarde demais para ficar esperando
   tarde demais para estar distante
                            e fingir-se ao lado
                            e fingir-se desperto
                           e fingir-se tão cheio
quando o coração - incerto - está
                                                     DESERTO.



[M.S]