Tag: Poesia
Canção Secreta
Até quando O que tinha dito Fez sentido Sem ter sido Um sonho vão... Até quando Havia previsto Sem ter visto Entretido Pela razão... Até quando Um pouco mesmo A esmo Ou, ao inverso Um tanto quanto Dispersos Os olhos acreditavam: O que eles ignoravam Desconhecia o coração. [M.S.]
Uma questão na madrugada
Não se trata do homem E seus atos, simplesmente. Trata-se de uma homogeneidade: Tempo, vida, esperança... Da brisa do mar Do cheiro de peixe Desse Mediterrâneo Atlântico ou Pacífico... Do registro em minha Memo-identidade Em meus neurônios fatigados... Dessa madrugada em casa Dos espíritos que rondam O amanhecer... Não se trata da imagem Do homem frente ao espelho. Trata-se de seu reflexo Perante o mundo: As coisas naturais Artificiais e sobrenaturais... Nomes talhados Nas árvores, nas rochas Nos arranha-céus Emaranhados montanhosos... A Patagônia tão perto O Saara tão perto: A impressão que se tem Desse silêncio deserto Desse momento de brilho Desse instante incerto... Não se trata da figura Dos figurinos menos ainda. Mas sim de sua representação Da ação que tece e destece Um novelo que não é de lã Lá no Ibirapuera No Amazonas e nessa vila Humaitá, Guarani ou América... Das águias, do Progresso (Que não chega) Da ordem que se mantém secular.... Da borboleta, esvaída, perder a cor Do fruto, muito provavelmente, Volver-se à flor. Não se trata do homem e seu codinome Da essência intangível, da eloqüência. Trata-se do prazer Da escrita descompromissada Das horas que se vão E chegam sem cessar Da lembrança de um sorriso E um perfume Do bem-querer Da mente tranqüila Desejando serenamente Outro anoitecer... [M.S.]
Estrelas – I
Nunca mais contei estrelas
Nem brindei da taça hodierna
O profundo agradecimento
.
E as vendo cintilantes
Como outrora diferentes
Um pasto azul-escuro
E um pastor prateado
.
Conduzi minha quimera
Numa lágrima desprendida
Não por dor nem sofrimento
Mas por amor à vida.
.
[MS]
Fatos
Eu não li as suas poesias. Esperei o ônibus passar Enquanto o tempo foi se Aproximando. Eu não li as suas cartas. Estão em alguma gaveta No subconsciente... (É como se eu nem as tivesse recebido). Eu não li os seus lábios, Que, distantes, exclamavam Qualquer coisa como “cuidado!” Num dia cinzento como Esse. Eu não li o letreiro (Em meu sonho) Anunciando o juízo final - O fim dos tempo da solidão. Eu não li... Mas fiquei com medo da noite, Tive receio das pessoas, Desconfiei dos Fatos... [M.S]



