Brincadeiras à parte, precisamos falar sobre condições de trabalho

condicoes-de-trabalho

Após a estipulação de um manual de condutas para os servidores públicos da Câmara Municipal São Bernardo do Campo o assunto ganhou proporção nacional.

Entre os conteúdos do manual constam recomendações de como se vestir, que cores de esmalte usar, tipo de perfume, como cumprimentar, como não ser “deselegante” para encerrar uma conversa que se prolonga ao telefone…

Nas redes sociais frequentadas por servidores públicos existem até os que (por complacência, benevolência ou verdadeira concordância mesmo) defendem a medida, mas ao que parece estes são minoria.

Comentários críticos, memes e chistes começam a tomar conta das redes porque, de fato, certas recomendações constantes na dita cartilha são surreais e anacrônicas, para dizer o mínimo.

Brincadeiras à parte, precisamos falar sobre isso… Não sobre cada um dos itens da cartilha em si, porque os meios de comunicação já estão abordando o tema e divulgando o conteúdo de forma exaustiva.

Precisamos falar sobre o que está está implícito, o que não está sendo dito (e que verdadeiramente interessa). Continuar lendo “Brincadeiras à parte, precisamos falar sobre condições de trabalho”

Metáforas

Como cacos colados remendo versos anacrônicos:

Anátemas pueris de uma sorte inglória,
fogos de artes e ofícios,
estampidos no sótão,
declarações de paz
e fortunas descabidas,
impostos retidos
na fonte
dos desejos compartilhados
(cem dias em um só tempo).
.
Tudo duvido da vida:
Até mesmo a improbabilidade
de uma existência inexistida.
.
Tenho tido metáforas que me afogam.
[M.S]

“Todas as pontes que você queima”…

http://olhares.uol.com.br/-foto1591252.html

http://olhares.uol.com.br/-foto1591252.html

All the bridges that you burn
Come back one day to haunt you

(Tracy Chapman)

Estava triste. Até que li o jornal da chapatrão. As mentiras e calúnias de sempre estão lá, estampadas. Estão estampadas também, na cara larga, as contradições e as distâncias abissais entre o que dizem fazer, entre o que propõem e entre o que efetivamente fazem e fizeram.

Obviamente nada disso é motivo para estar feliz; afinal, se escrevem umas coisas estapafúrdias como as ali contidas, imagino o que dizem à boca pequena, falando diretamente a ouvidos desprevenidos ou escrevendo  a olhos incautos, em grupos que não participo.

Na verdade, eu sei o que dizem e o que escrevem. E muito do que inventam não vale a pena responder ou se preocupar em desmentir, ainda sob o risco de alguns, por boa fé ou ingenuidade, acreditarem.

Crenças são assim mesmo, mobilizam emoções e sentimentos, geram até mesmo medo e ódio do que se julga conhecer, mas não se sabe realmente até se certificar da veracidade do que inescrupulosamente afirmam…

Dias atrás alguém que não me conhecia (e por lógica nem eu esse alguém) me disse: “Eu te conheço de outros carnavais“. E eu quase que pensei que o porre que eu havia tomado devia ter sido homérico, porque não lembrava da pessoa nem lembrava de ter ido a algum carnaval nos últimos 25 anos.

O bacana é que após um tempo de uma DR entre dois recém-conhecidos, a pessoa disse: “poxa, eu devia ter conversado diretamente com você antes”…

O lamentável é que, limitados pelas desigualdades reiteradamente impostas nas eleições do sindicato, não tenho (nós da chapa 2 não temos) condição de conversar pessoalmente com tantas outras pessoas que possam também acreditar que me (nos) conheçam de “outros carnavais”…

Não nos cabe julgar quem (por descuido ?) acredita em calúnias, em informações distorcidas ou difamações. O importante é saber, como diz o velho ditado popular: quem semeia vento colhe tempestade.

E a tempestade das desilusões após o ser humano se defrontar com as verdades dos fatos é exponencialmente proporcional aos ventos da mentira soprados nos ouvidos dos de boa fé, porque quem tem boa fé age por boa fé, é boa gente, ainda que pela influência das invencionices ouvidas possa por vezes tomar decisões equivocadas, agir por engano e, sem saber, contra si mesmo.

Faz parte.

Aprendi uma coisa simples e verdadeira nesta caminhada: as pessoas precisam fazer suas experiências para, quem sabe, aprender com elas.

E esse “quem sabe”, esse terreno rico de possibilidades, é um risco que vale a pena correr, porque respeita o tempo, o ritmo e até mesmo as limitações das pessoas, deixando o caminho, as portas e as janelas abertas para que a qualquer tempo trilhem, entrem ou apenas espiem, se assim desejarem, se assim decidirem…

É por isso que não convém o tempo todo ficar lembrando às pessoas a célebre constatação de Marx: “se a aparência correspondesse à essência, a ciência seria desnecessária” (em português claro: nem tudo é como a gente pensa que é só porque nos disseram).

Ainda que de fato para conhecer seja necessário ter uma atitude radical, isto é, ir às raízes, à origem, consultar diretamente a fonte… Às vezes é mais educativo, embora possa vir à ser uma experiência dolorosa, deixar as pessoas testarem, tentarem…

Eu estava triste. Até que li o jornal da chapatrão… É que, ao escreverem suas invencionices estapafúrdias para tentarem enganar os colegas e espezinharem nossa paciência, me deram essa alegria da reflexão e deixaram um lastro de pólvora que, ahhhh, será bonito de ver quando as luzes acenderem!!!

 Oxalá acenderão!

M.S.