MIUDEZAS DE PENSAR * Tiny little things of thinking

Ana de Lourdes escreve com uma sensibilidade única, ousando neologismos e figuras de linguagens penetrantes. Em suas escritas é difícil saber o que é real ou imaginário, tudo se sintetiza numa harmonia ao mesmo tempo simples – pela linguagem coloquial e envolvente – e complexa – pela força das metáforas construídas como alicerces poderosos de um edifício que toca as nuvens do céu. Convido-os a conhecerem seu blog: https://anadelourdes.wordpress.com

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Rodin
Escondo o mundo nos músculos do peito... 
Enrolados neste barulho, somos sons intermináveis!
ruidosos, porque vitrais se quebram,
Ou é esse mundo de vidro que balança demais.

Alimento a fé com miudezas...
Espanta-me as preces decoradas!
Decorei,  porque não acredito,
ou acreditando juntei memórias?

Engravido de fluidos que viram gente,
e de versos enfileirados que nunca pedi...
Possuo dons porque mereço,
ou por não merecer me tornei quem não sou?

Seguro a paciência num fio sem limites,
admirando caminhos que jamais se encontraram....
Encontro, porque espichar deixa sobras,
ou porque estirada me alcanço do outro lado?

Espreito o que é meu, desejo o que não sinto falta.
Maravilhas de pequenas criações...
Inventadas porque sou “querente”,
ou porque pensamento é descoberta de sonhador.

Ana de Lourdes Teixeira - Março,2017

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O Discurso da Torre

Eu te falei: meus jogos de palavras são palavras em jogo. Lançadas ao vento, sopram furacões e tempestades sem mortes para contabilizar nem mortos a lamentar o destino perdido, ou encontrado. Sem resultado algum. Eu te falei; você que não quis ouvir. Agora, ouça… Continuar lendo “O Discurso da Torre”

Insatisfações, Esquecimentos & outras firulas

“Somos seres desejantes destinados à incompletude e é isso que nos faz caminhar” – Jacques Lacan

Costumo dizer que podemos ter um dia maravilhoso, com tudo correndo às mil maravilhas (passar naquela faculdade disputadíssima, receber um elogio do chefe rabugento, ganhar um beijo da pessoa amada, ser premiado na mega-sena e, de quebra, quem sabe até ver o Palmeiras ser campeão do mundo!), massssssssssssss… Continuar lendo “Insatisfações, Esquecimentos & outras firulas”

Análise crítica: “Reflexões Sobre o Multiculturaismo na Escola e na Formação Docente”, de Canen & Moreira – Parte 3

Algumas considerações (in) pertinentes: pensamento neoliberal e discurso pós-moderno

A preocupação com a pluralidade cultural, com o respeito e valorização dos grupos culturais e étnicos é fundamental para a construção de uma sociedade democrática. O diálogo, neste sentido, assim como propõem Conem e Moreira, deve ser o princípio básico, a essência de uma educação voltada para a transformação social. O “monopólio do diálogo”, a hegemonia da fala e do poder político, representado e concomitantemente perpetuado pela concentração do poderio econômico nas mãos de uns poucos ainda são entraves grandiosos para a superação da segregação social e discriminação cultural em nossa sociedade. Talvez por isso mesmo é que Paulo Freire nos alerta para a impossibilidade de um verdadeiro diálogo entre os sujeitos da classe oprimida e os sujeitos da classe dominante. O diálogo, define Paulo Freire (1986: 123) “é o momento em que os humanos se encontram para refletir sobre sua realidade tal como fazem e re-fazem(…)“. Através do diálogo, refletindo juntos sobre o que sabemos e não sabemos, podemos, a seguir, atuar criticamente para transformar a realidade. Continuar lendo “Análise crítica: “Reflexões Sobre o Multiculturaismo na Escola e na Formação Docente”, de Canen & Moreira – Parte 3″

Análise crítica: “Reflexões Sobre o Multiculturalismo na Escola e na Formação Docente, de Canen & Moreira – Parte 2

Ainda que se valendo de categorias questionáveis como pós-modernismo – ideologia especifica do neoliberalismo (CHAUÍ apud FRIGOTTO, 1995: 79), no campo da esquerda –  e de uma suposta superação do conceito marxista de cultura, Canen e Moreira não negam o papel dos conflitos e das relações de poder no seio da sociedade, ao contrário, os realçam, afinal, não pode haver “educação multicultural separada dos contextos das lutas de grupos culturalmente dominados, que buscam modificar, por meio de suas ações, a lógica pela qual, na sociedade, os significados são atribuídos.” Aliás, para eles, “a educação multicultural não é uma concessão, mas sim o resultado de lutas iniciadas no âmbito de movimentos sociais e populares visando a uma participação mais igualitária na vida social e cultural”. Continuar lendo “Análise crítica: “Reflexões Sobre o Multiculturalismo na Escola e na Formação Docente, de Canen & Moreira – Parte 2”

Análise crítica: “Reflexões Sobre o Multiculturalismo na Escola e na Formação Docente”, de Canen & Moreira – Parte 1

NOTA DA PEDRA LASCADA:  A resenha que seguirá aqui em quatro partes foi escrita em 2005 como um trabalho de análise crítica para a disciplina Formação de Equipe Escolar, do curso de Pedagogia do Centro Universitário Fundação Santo André. Reencontrei-a em meio a arquivos que estava reorganizando e resolvi compartilhar, pois resgata uma polêmica que mantenho com o conceito de pós-modernismo – polêmica esta que inspirou, por ironia proposital, o anacrônico nome deste Blog – Pedra Lascada. Autorizo a reprodução total ou parcial do mesmo para fins não comerciais, desde que devidamente citada a fonte e a autoria. [M.S.] Continuar lendo “Análise crítica: “Reflexões Sobre o Multiculturalismo na Escola e na Formação Docente”, de Canen & Moreira – Parte 1″

Variáveis

Entre aquilo que a gente
Deseja que seja
E aquilo que acontece,
Ou permanece...

Entre os sonhos e as sinas;
Entre os fatos e os atos
E alguns retratos...

Entre as posses
E as possibilidades;
Entre as passagens
E as nossas viagens...

Entre as quadras,
As quadrinhas,
A quadrilha do poeta
(e etecétera)...

Entre as distâncias
E lembranças
De nada que foi
De tudo que não será...

Alimentamos
- eu em ti,
você em mim –
um jogo sem fim:

Nem não, nem sim.

[M.S]

Diretas, Indiretas e Gerais

Alguns amigos têm me enviado convites para assinar petições, compor grupos ou curtir páginas em defesa das “diretas já” para presidente da república.

Lamento desapontá-los, mas não defendo eleições para presidente apenas, muito menos com as regras atuais, que possibilitariam que corruptos e denunciados disputem as eleições na maior cara de pau, como se fossem políticos ilibados. Além de que não acredito em salvadores da pátria.

As tais diretas já para presidente trazem à baila figuras como Lula, Bolsonaro e outros tantos sujeitos dos 28 partidos envolvidos em corrupção, com o prejuízo de manter no congresso e no senado centenas de políticos igualmente envolvidos em falcatruas e comprometidos com projetos e reformas antipopulares e antitrabalhadores.

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O Proletário e o Sonho

Há um muro de concreto entre o céu e a Terra

Sonhando ser o teto uma saída
O camarada proletário constrói sua astronave
Com sete cores e com sete chaves
Banhado pela luz da Lua e pela Luz do Sol.

Sem perceber, o camarada proletário sonha

E nuvens alvas movem-se sob os seus pés
Mas o proletário já não pode
Abaixar a cabeça e calar-se
Pois dentro dele há um ideal e um grito
Às vezes de dor, às vezes de desespero.

Sonha, camarada proletário,
Sonha, que o futuro virá!

[M.S.]

“Thirteen Reasons Why”: Impactante e necessário

Traduzido para o português brasileiro como “Os treze porquês” e adaptado do romance do escritor Jay Asher (2007) pela Netflix numa densa série com 13 episódios lançados de nesta sexta feira, 31 de março, acabei assistindo-os quase de uma tacada só.

Uma vez diante do enredo e da narrativa que vai revelando os motivos pelos quais uma adolescente comete suicídio é impossível não querer saber as próximas cenas dessa história dramática, intensa, pesada, sensível e em certos momentos brutal, tal como é o mundo da adolescência e seus cotidianos conflitos potencializados pela costumeira inabilidade e indiferença com que nós, adultos, lidamos com os jovens e suas idiossincrasias, Continuar lendo ““Thirteen Reasons Why”: Impactante e necessário”