Falo como poeta Eu sou livre e não sabia Mas essa inconsistência do papel E essa minha língua vermelha, mordida Carne, nervos e sangue - o doce aroma Corte exposto no indicador esquerdo Eu sou poeta e não sabia. Eu sou poeta e não queria Conhecer a louca esperança tonta Que faz a escrita toda torta O vício da rima e o vício da mina Só, mano, é isso aí! Pra sair do contexto Nada do que faço é certo Eu sou o homem no deserto. Falo com o falo À flor da pele o hormônio O palavrão improferível A idade média da razão Eu sou o fruto que sai da terra O ofídio - tal como, frio e paciente Eu sou poeta e não sentia. Não sentia que era isso Essa coisa, esse asco Essa pedra bruta, esse fiasco Esse profundo fundorifício Detalhado na teta e na testa Marca de fuzil alemão Que eu nunca vi. Não, menina, eu não vou fugir Apenas quero me esconder Desse jeito meu (seu) de ser Da fantasia de sua boca na minha De seus lábios carnudos, calientes, Tangendo a fímbria do amanhecer... É que sou poeta e não dizia. Por isso agora falo. . [M.S. / Em algum momento do milênio passado]
Autor: Marcelo Siqueira
Iluminado
Eu vi um sol raiando na madrugada.
M.S.
Comunicado Urgente
Aos que choram
quando estão sozinhos...
Aos que encontram nas alucinações
as soluções...
Aos que se negam a entender...
Aos que têm correntes
nas pálpebras:
Nada é para sempre
nem o corpo
nem o copo.
[M.S.]
Breve e Nenhuma Semelhança
entre a terra, que é sólida e o céu, que é insólito entre a luz da Eletropaulo e a luz que emana do Sol entre a donzela, que é pura e o boi, que é casto entre a vida, que é incógnita e a morte, desconhecida... [M.S]
Vastidão
Bomba.
Bamba
Bambu.
O frio corta a alma
que tropeça, calma,
sôfrega,
trôpega
Cana-de-açúcar
pinga, garapa,
tinta
ginga, gincana
cultura química
O corpo, veloz,
corta o vento
A navalha corta
o tempo
esgotando-se
cada gota rubra
e espessa
Espera. O dia custa
a chegar
Dia composto em roda
de samba
raíz
Quem diz
que é mais forte
que o infinito
pode até pensar bonito
mas engana-se
Esgana-se
a cada minuto
hora segundo
isso é o que eu lia
e me sentia diminuto
nesse mundo mundo
vasto mundo
Uma rima,
uma solução,
para estar por cima
é aprender a dizer
não
É uma pena!
Como no poema
mais vasto é esse meu
coração.
Imagem em destaque: A Lua, de Tarsila do Amaral
Sei
eu sei
que a vida é igual
que a morte é relativa
que cada um se perde
quando cada um se entende
eu sei
que dois são mais
quando algo é menos
que a morte é fria
e os mortais - pequenos
eu sei
nada sei
o difícil
é tornar fácil o conhecimento.
[M.S.]
Imagem em destaque: Steve Johnson em Pexels.com
Embalo
Embala-se no ar Ao som da nova canção Sob o áureo luar Palpitando o coração. Ao longe o mar Perfazendo a emoção Navegar, navegar!... Perder-se na razão. Em transe albaroar Sem qualquer objeção No cais da mente açodar Parte-a-parte o coração. Embala-se na noite O silêncio suave Passos d'um coiote E um cingir de chave... [M.S.]
Imagem em destaque: Johannes Plenio em Pexels.com
Carta aberta ao Prefeito de SBC, Orlando Morando
Olha aqui, #orlandomorando,
Você sabe da história, assim como grande parte da categoria sabe, de que no funcionalismo existiu uma fissura por muitos anos. Uma fissura alimentada pelo governo anterior, seu adversário; uma fissura criada a partir das diferenças de concepções políticas sobre organização e condução sindical; uma fissura que culminou em uma eleição sindical insana, a qual não falarei agora e que pessoalmente me fez tão mal que tive de me afastar da participação nas ações do sindicato, a qual eu pertenço e sou filiado há 24 anos – e que também afastou muita gente boa da participação nos movimentos e até nas lutas por nossos direitos.
Continuar lendo “Carta aberta ao Prefeito de SBC, Orlando Morando”Limites
Não são as pessoas que testam nossos limites. Somos nós que vamos deixando os limites serem alargados na ilusão de que as pessoas podem mudar. Neste caso observe os sinais presentes nas atitudes e reflita: elas querem mudar? Esta é uma questão puramente tautológica.
M.S.
Independência
Independência da morte presos na ponte estamos sem sorte no alto do monte Independência da sorte presos no monte estamos sem morte no alto da ponte Independência do monte presos na sorte estamos sem ponte no alto da morte Na ponde da morte do monte sem sorte na ponte do monte da sorte sem morte Independência! no monte da morte estamos presos no alto - a morte sem sorte [M.S.]
Imagem em destaque extraída de Pixabay







