Quando acaba o que chamamos de infância

NOTA DA PEDRA LASCADA: Em tempos neoliberais, as pressões por resultados se multiplicam, as demandas se intensificam e o trabalho se torna cada vez mais multifacetado, complexo e profundamente burocratizado, ao mesmo tempo em que as condições salariais e de trabalho se precarizam vertiginosamente. Como consequência, cresce o desalento e a sensação de que só nos resta deixar o corpo boiar e a onda do mar nos levar, até que em algum momento recuperemos energia para retomar as braçadas.

Na educação não estamos imunes a este, digamos, fenômeno sócio-econômico e, por vezes, percebemos em nós e em nossos colegas sinais de que estamos chegando num ponto em que nos perderemos, sem possibilidade de nos encontrar. Neste sentido, comenta-se, muito, da necessidade de que os educadores e as educadoras, e especialmente os professores, as professoras e os profissionais do magistério, se reencantem com suas profissões – tarefa giganteca, dado o contexto explicitado acima.

Eis que nos deparamos com reflexões como as formuladas pela professora Geovanna Gomes, em seu artigo “Quando acaba o que chamamos de infância“, e percebemos que é possível renovar o encantamento pedagógico; existem muitos caminhos a trilhar e ele passa não apenas em olhar para a frente, mas sim essencialmente recuperarmos o olhar para a infância, buscando reconciliar a infância passada e a infância presente, a criança que fomos, e que carregamos conosco, e as crianças com que lidamos… Essa é uma viagem por nós e a nós mesmos, viagem necessária para se apurar os olhares, os sentidos e a razão. Assim, convidamos você a ler o artigo, publicado originalmente no blog Somos Todos Educadores.

Boa leitura!

Sobre o “caos” das “avaliações formativas e a política de bônus na Educação

  1. Contextualizando…
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Antecipação

Quando se antecipam conteúdos, atividades e estratégias típicas de etapas posteriores, não se adia a infância: degenera-se a infância! Pois anulam-se vivências, experiências e aprendizagens essenciais e estruturantes do desenvolvimento infantil que são, por sua vez, fundamentais  às aprendizagens formais futuras e que são imprescindíveis, sobretudo, para a formação integral do ser vivente em sua transformação em ser humano.

E assim se vai configurando retrocessos civilizatórios.

Secretaria de Educação organiza eleição de representantes para comissão sobre Estatuto

A Secretaria de Educação de SBC encaminhou rede aos profissionais da educação organizando eleição para comissão de representantes de trabalhadores para discutir cronograma de pagamentos de progressões atrasadas e, ainda, revisão do Estatuto dos Profissionais da Educação.

Primeiramente, causa no mínimo estranheza que o governo, na figura de uma pasta sua, a SE, conduza o processo de eleição de representantes de trabalhadores para discutirem e negociarem consigo mesmo (governo).

Quanto à revisão do Estatuto, defendo sim a eleição de uma comissão ampla de representantes de trabalhadores da educação para construírem uma proposta, considerando tanto a proposta já construída coletivamente em outros processos, como as necessárias atualizações à luz de novas realidades e novos contextos.

Todavia, por mais que o governo utilize a expressão “transparência”, o fato de ele próprio conduzir a eleição já impõe, na largada do processo, uma sombra que embaça a transparência alegada – a votação será pelo Portal da Educação, ferramenta de controle único e exclusivo da administração, que fará a apuração dos votos.

Em que pese todas as críticas que tenho à atuação da direção de nosso sindicato, cabe à representação legal dos trabalhadores, que é o Sindicato dos Servidores Públicos e Autárquicos de São Bernardo do Campo, e não à Secretaria de Educação, conduzir a eleição da comissão de representantes da categoria para a discussão do Estatuto.

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Reflexões sobre coletivismo, individualismo e alguns mitos

Educação é prática coletiva e um coletivo não é meramente uma soma de indivíduos; é um organismo que se constrói pela ação de sujeitos com suas subjetividades e que compartilham concepções e princípios comuns – sujeitos que dialogam a partir de suas individualidades, se comprometem e se responsabilizam no e pelo processo, sabendo que este é tão importante quanto o resultado, porque é daquele que se origina a boa ou má qualidade deste.

É certo que um coletivo não se constrói ao vento,  por osmose ou por geração espontânea – ele é fruto de trabalho e da ação consciente, planejada, coerente e consequente de lideranças. Neste sentido, tomando como referência um importante teórico revolucionário que dizia que a crise do movimento revolucionário é a crise da direção revolucionária, precisamos reconhecer que em certa medida as dificuldades de uma coletividade são reflexos de dificuldades da direção dessa coletividade.

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Da formação de futuros autocratas

Está em Lucas: 4: 1-13, mas tb saiu da boca da mãe, dita (na forma da atitude permissiva) à criança que fazia birra para sentar-se à janela do avião:

Eu lhe darei todo este poder e toda esta riqueza, pois tudo isto me foi dado, e posso dar a quem eu quiser” .

A passageira resistiu à tentação. Para salvação da criança. Assim seja.

Diálogos: A ação dos educadores em tempos de pandemia – Realidades e Perspectivas

Com a crise sanitária causada pela pandemia do novo coronavírus, sem que houvesse um tempo para qualquer preparativo grande parcela dos profissionais da educação de São Bernardo do Campo se viram afastados do ambiente físico de trabalho, assim como boa parte dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil e do mundo.

Durante todo este período, temos trabalhado em jornadas extenuantes, garantindo presencialmente a efetivação de ações sociais nas escolas e o atendimento administrativo nas secretarias escolares. À distância, garantimos a continuidade das ações educativas e pedagógicas e a manutenção dos vínculos com alunos e famílias.

Literalmente estamos pagando para trabalhar, utilizando nossos próprios recursos materiais, fazendo dívidas para financiar equipamentos, pagando contas de energia elétrica altíssimas, pacotes de dados e, assim, custeando as ações com nossos próprios salários.

Ao mesmo tempo, enfrentamos graves ataques dos governos, como congelamentos salariais e de progressões, ameaças de cortes de salários e, mais recentemente, o anúncio de uma reforma administrativa que acarretará em sérios prejuízos aos trabalhadores e à população usuária dos serviços públicos. Isso sem contar a contínua campanha de difamação contra os servidores públicos, e em especial contra os educadores que trabalham diretamente no atendimento dos alunos.

Os governantes – inclusive Orlando Morando em SBC – não hesitam em tirar direitos dos servidores públicos e contar vantagens do trabalho realizado pelos educadores, mas escondem da população a falta de investimentos em equipamentos e em acesso à internet para profissionais da educação e para os alunos de nossa rede, muitos dos quais excluídos das atividades online.

Da parte dos governantes, sobra demagogia e falta diálogo. Submetidos a jornadas de trabalho insanas e tendo de lidar com novas e demasiadas demandas, diferentes segmentos de educadores solicitaram por vezes reuniões com a SE para esclarecimentos, para organização das ações, para propor encaminhamentos…

Diversos documentos foram produzidos e absolutamente nenhum foi respondido. Os profissionais da educação sequer foram ouvidos nas pesquisas oficiais sobre as possibilidades de retorno das atividades presenciais.

Por essas e outras estamos nos organizando! E todas as frentes de luta são importantes!

Venha debater ideias, construir propostas, refletir juntos sobre as possibilidades de ações, porque é na ação coletiva que nos tornamos sujeitos de nossa própria história 😉

Somos todos educadores e todas as mães são especiais

Fatos irrefutáveis, embora existam os que neguem a realidade:

Somos todos educadores –  Família educa, escola educa; família ensina, escola ensina; família cuida, escola cuida.

Educação, ensino e cuidados são responsabilidades a serem compartilhadas entre família, Estado e sociedade (sendo a escola pública parte do Estado). A educação escolar deve ser complementar à educação familiar – estes são princípios básicos presentes desde a Constituição Federal, passando pela LDB, Estatuto da Criança e do Adolescente e absolutamente toda legislação educacional brasileira.

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Manifesto: Somos Todos Educadores!

Do blogue Somos Todos Educadores

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Professor, membro da equipe gestora, auxiliar em educação, oficial de escola, inspetor de alunos, porteiro, zelador escolar, auxiliar de limpeza, cozinheiro, profissional das equipes técnicas (orientador pedagógico, fono, psico, fisio etc)… Todos que trabalhamos nas escolas, envolvidos diretamente no processo de ensino ou em seu apoio e viabilização, somos responsáveis pela qualidade da educação das crianças, jovens e adultos usuários das redes de ensino.

Na efetivação do trabalho dos professores, das professoras, viabilizado e apoiado pelos demais trabalhadores e trabalhadoras da educação escolar, o ensino se concretiza; mais que isso, o processo educativo se complementa na relação e nos cuidados que cada profissional da educação estabelece entre si, com as famílias e com os educandos.

Ensinar, educar e cuidar são indissociáveis, pois fazem parte de um mesmo processo, que é o da formação dos seres humanos para a vida em sociedade. Neste sentido, independente do nosso cargo, no trabalho escolar exercemos função inerentemente educativa.

SOMOS TODOS EDUCADORES – e como educadores que somos, comprometidos com a qualidade da educação, lutamos por melhores condições de trabalho e de aprendizagem, pelo direito de todos à valorização profissional, à salários dignos e condizentes com nossas responsabilidades educativas, à formação em serviço, por planos de carreira que possibilitem concretamente a todos educadores, a todas educadoras, evolução funcional e salarial.

Este espaço virtual se apresenta como uma ferramenta dessa luta, contra o processo de desmonte da educação pública levado à cabo pelos governos federal, estaduais e municipais que ano após ano diminuem os investimentos em educação, impõem retrocessos aos currículos, retiram direitos dos trabalhadores, privatizam e terceirizam o serviço público.

NENHUM PROFISSIONAL FORA! NENHUM DIREITO A MENOS! SOMOS TODOS EDUCADORES!!

Análise crítica: “Reflexões Sobre o Multiculturalismo na Escola e na Formação Docente”, de Canen & Moreira – Parte 4

Evidentemente, as classes sociais não se constituem de um todo homogêneo com sujeitos cujos interesses e princípios são os mesmos ou sequer similares, e nesse sentido há que se valer dos estudos culturais para compreender as ações, pensamentos e construções identitárias dos grupos no interior das classes. Nesse sentido, podem ser muito úteis e pertinentes as contribuições de Canen e Moreira quando defendem, por exemplo, que “às situações de violência real devem-se acrescentar os efeitos da violência simbólica decorrentes do processo de globalização excludente que, ao procurar homogeneizar manifestações culturais, termina por anular vozes e experiências dos grupos oprimidos”. Continuar lendo “Análise crítica: “Reflexões Sobre o Multiculturalismo na Escola e na Formação Docente”, de Canen & Moreira – Parte 4″