https://exame.abril.com.br/brasil/joaquim-barbosa-ex-relator-do-mensalao-declara-voto-em-haddad/
Blog
Voto Haddad 13 e peço que você vote também, não anule, não vote em branco, nao se omita nem vote no coiso.
Peço apenas um tempinho de sua atenção porque, face ao momento em que vivemos, a cada dia que passa mais e mais angustiante fica ao constatar que estamos a um passo de uma ruptura democrática sem precedentes que se ampara em uma verdadeira fraude eleitoral por meio de uma campanha de disseminação de mentiras, calúnias e difamações e que encontra eco no sentimento (legítimo até) de repulsa a um partido que governou o nosso país por 14 anos, e que entre acertos e desacertos mais do que frustou, traiu nossa confiança ao se aliar a quem dizia combater e ao praticar muito do que criticava.
Todavia, o que se apresenta como alternativa propõe um programa econômico de cortes de direitos sociais, de direitos trabalhistas e de direitos civis sem precedentes e que, se alcançar o poder, atingirá cruelmente a todos nós, e em especial a grande parcela da nossa sociedade, que é pobre, negra, feminina, além das minorias historicamente excluídas, perseguidas e massacradas.
Não estamos diante apenas de um projeto político autoritário de sociedade, mas de completo desmonte de serviços públicos, de aprofundamento dos cortes nos investimentos em educação, segurança, saúde, habitação, saneamento básico… em detrimento do favorecimento dos grandes empresários, ruralistas e banqueiros.
Avizinha-se, com o programa econômico que pretende impor Bolsonaro, mais crise e potencialmente uma situação de caos social, com aumento da violência alimentado pelo discurso de ódio, homofóbico, racista, misógino, xenófobo de um sujeito e de uma candidatura que despreza os direitos básicos e fundamentais.
Essa violência política já se concretizou em assassinatos, espancamentos, agressões verbais e ameaças amplamente divulgadas, e que não raro nós aqui somos vítimas também. Cabe por um basta nela.
É de seu conhecimento que, particularmente, tenho motivos de sobra para, tanto como muitos, repudiar o PT, por toda nossa trajetória desde a luta pelo Estatuto dos Profissionais da Educação, passando pela nossa greve de 2015 e posteriormente pelas eleições do sindicato dos servidores; no entanto, chegamos num momento em que precisamos ao menos garantir o direito de lutar pelos nossos direitos, e como é de conhecimento geral, Bolsonaro ameaça banir, prender e eliminar os ativistas (que somos todos nós, eu você, e qualquer um que, militando organizados ou não, saímos às ruas para reivindicar melhores condições de trabalho, de salário, educação de qualidade etc).
Por isso, neste momento, sem arredar centímetro que seja de toda a minha crítica ao petismo, escolho votar pela preservação da civilização contra a barbárie que é representada pelo candidato e pela candidatura de Bolsonaro.
Caso vença Haddad, continuarei sendo oposição, continuarei lutando como sempre lutei pelos nossos direitos e por uma sociedade verdadeiramente justa e igualitária; caso vença Bolsonaro, tb continuarei lutando, porém, a julgar pelas ameaças que este candidato proferiu em toda a sua campanha, no dia da votação do primeiro turno e no discurso do último domingo, sinceramente temo pela minha segurança, pela minha vida e pela vida de tantas pessoas que conheço e conhecemos, pessoas como você, que apenas lutam pelas coisas que acreditam, que fazem greve quando precisa, que é tão trabalhadora e tão ser humano como qualquer um de nós.
Desculpe ter me alongado. Na verdade, não pretendia, mas peço que assim como eu, faça uma reflexão e ajude a derrotar esse projeto nefasto, imensuravelmente muito mais nocivo do que tudo que o petismo possa nos ter feito, ou que possa nos fazer. P
Precisamos recuar um passo, para não retrocedermos 50, 60 anos, tal como pretendido por Bolsonaro. Vidas estão em jogo: a sua, a minha, a nossa e de tantas pessoas… Voto 13, voto Haddad, sem ilusão, mas consciente de que não posso ser conivente com a barbárie anunciada e projetada por Bolsonaro, reconhecidamente admirador de torturadores e de ditaduras.
Deixo abaixo alguns links de notícias importantes para ajudar na reflexão.
Marcelo Gonçalves Siqueira
Diretor Escolar
São Bernardo do Campo
*
fbclid=IwAR3ZhunNSQX9AHNNJAA4OyRQoKP5OiybJF29xwKmBuGiMEm2z04d2J0dX_0
*
*
*
*
*
*
*
*
*
*
#EleNão: neste sábado (29), mulheres saem às ruas contra Bolsonaro e seu discurso machista e fascista; atos no Brasil e no mundo
NOTA DA PEDRA LASCADA: Nós, homens, também! #EleNão! #EleNunca!
*
Do site da CSP-Conlutas:
Depois do fenômeno #EleNão nas redes sociais, o repúdio ao candidato Jair Bolsonaro vai ganhar as ruas neste sábado (29). Em diversas cidades brasileiras, e até mesmo fora do país, estão programadas manifestações contra o candidato do PSL e seu discurso machista, de ódio contra as mulheres e de desprezo à democracia.
O Facebook já registra mais de 100 eventos que estão sendo convocados em capitais brasileiras, em cidades do interior de vários estados e até no exterior, como Lisboa, Porto e Coimbra (Portugal), Berlim e Munique (Alemanha), Paris e Lyon (França), Galway (Irlanda), Barcelona (Espanha), Sidney e Gold Coast (Austrália), Londres (Inglaterra) e Haia (Holanda), entre outras.
Artistas e torcidas contra o “Coiso”
Além de mulheres da população em geral e movimentos feministas, diversas artistas também estão se mobilizando e convocando os atos deste sábado. Atrizes, cantoras e influenciadoras digitais estão gravando vídeos explicando os motivos pelos quais aderiram à campanha #elenão e convocando as mulheres a participarem do ato. No vídeo, outras três mulheres são desafiadas a fazer o mesmo.
“Fiz meu vídeo convidando todas as mulheres para a passeata do dia 29. Vamos dizer juntas #elenao! Vamos reafirmar a democracia, a igualdade, a liberdade, e acima de tudo o amor!”, postou a atriz Sophie Charlotte.
Desafiada por Maria Gadu, a cantora sertaneja Marília Mendonça publicou em sua conta um vídeo que já tem mais de 1 milhão de visualizações. “Por que no final das contas, não é uma questão de opção política, é uma questão de bom senso!”
Torcidas organizadas de futebol também se pronunciaram, como Gaviões da Fiel, do Corinthians, a Torcida Jovem, do Santos, Palmeiras Antifacista e Palmeiras Livre, torcedores do Flamengo e do Internacional.
Discurso de ódio
Os atos estão sendo organizados por mulheres, mas homens também prometem se juntar à manifestação. Os protestos ocorrerão em meio a um crescente movimento de repúdio ao candidato e sua campanha, que coleciona uma série de ataques repulsivos às mulheres, mas também a negros, quilombolas, indígenas, pobres e favelados.
O mais recente ataque ocorreu em Recife (PE), no último domingo (23). Reproduzindo o discurso que Bolsonaro já fez em vários momentos, apoiadores de sua campanha realizaram a “Marcha da Família” na capital pernambucana. A manifestação foi feita ao som de uma paródia do funk Baile de Favela, em que se comparou as mulheres que não votam em Bolsonaro a “cadelas”. “Para as feministas, ração na tigela. As minas de direita são as top mais belas, enquanto as de esquerda têm mais pelo que as cadelas”, dizia um trecho da letra.
Na semana passada, o vice de Bolsonaro, General Mourão, declarou que famílias pobres “só com mãe e avó” são “fábricas de desajustados”, num absurdo desrespeito e preconceito contra milhões de mulheres que dignamente chefiam famílias e criam sozinhas filhos e netos no país.
As declarações são semelhantes às falas do próprio Bolsonaro que já disse que “mulher feia não merece ser estuprada”, que “fraquejou” quanto teve uma filha, que mulher tem de ganhar menos que homens, sem contar a defesa de torturadores da ditadura, apologia à violência contra gays, entre vários outros absurdos.
“No próximo dia 29 as mulheres estarão, novamente, a frente de um importante movimento político no país. Vamos às ruas lutar contra um projeto que escancara a naturalização do machismo e reafirma a utilização dessa ideologia para explorar ainda mais as mulheres e os demais setores oprimidos da classe trabalhadora”, afirma a integrante do MML (Movimento Mulheres em Luta), Marcela Azevedo.
“Contudo, sabemos que esse projeto não está restrito a um único representante. Mesmo que mascarado ou velado, esse é o projeto defendido por qualquer um que mantenha suas ações no marco do capitalismo e não aponte a necessidade de construir uma sociedade socialista, para garantirmos, de fato, a emancipação das mulheres e a libertação de negros e negras, LGBTs e toda a classe”.
“Por isso, nós do MML vamos com tudo construir as manifestações do próximo sábado, para derrotar o Coiso, mas também para fazer um chamado à mulherada a não depositar suas ilusões no “mal menor” e não aceitar nada menos do que todos os nossos direitos historicamente negados”, afirmou.
#EleNão
#ContraTodosQueOprimem
#ContraOMachismoEAExploração
Os atos dia 29 no Brasil
SÃO PAULO
São Paulo: 15h – Largo da Batata
São José do Rio Preto: 12h – Esplanada do Teatro Pedro II
São José dos Campos: 09h – Praça Afonso Pena
Santos: 15h – Praça da Independência
Americana: 14h – Praça Comendador Muller
Franca: 10h – Largo do Rosário
Campinas: 15h – Rua Major Claudiano
Botucatu: 11h – Praça do Bosque
São Roque: 11h – Praça da Matriz
Jaboticabal: 10h – Praça 9 de Julho
Taubaté: 16h – Praça Santa Terezinha
Araraquara: 14h – Praça Santa Cruz
Bebedouro: 10h – Praça Barão do Rio Branco
Guaratinguetá: 09h – Praça Conselheiro Rodrigues
Jundiaí: 16h – Praça Monsenhor Marcondes
São Carlos: 09h – Local a definir
Ilha Bela: 18h – Praça do Perequê
*
Saiba mais e veja outros locais das manifestações AQUI.
16 pontos de um programa socialista para o Brasil contra a crise capitalista
NOTA DA PEDRA LASCADA: Em tempos de eleições, se colocam em jogo não apenas quem ocupará cargos políticos (vereadores, prefeitos, deputados, senadores, presidente) como, principalmente, projetos políticos, econômicos e sociais, confrontam-se compreensões de mundo, de sociedade, de país, de ser humano… Acredito que não há nem pode haver imparcialidade possível nesse processo e que o posicionamento se faz mais que urgente; se faz necessário.
Neste sentido, este blogue a partir de agora estará a serviço de apresentar e a tomar partido de um projeto que se diferencia e se opõe a todos os demais programas das candidaturas que se alinham à direita e à esquerda: trata-se do Projeto Socialista do PSTU, representando pela candidatura da operária sapateira Vera Lúcia Salgado & do professor Hertz Dias (integrante do Movimento Hip-Hop e do grupo Gíria Vermelha) à presidência da República e dos candidatos deste partido aos governos estaduais, câmaras e senado.
Para início de conversa, compartilhamos os 16 pontos de um programa socialista para o Brasil contra a crise capitalista. Continuar lendo “16 pontos de um programa socialista para o Brasil contra a crise capitalista”
Noventa e cinco centavos
− Quanto custa?
− Noventa e nove centavos.
Colocou a mão no bolso direito de trás da calça; reparou que estava sem a carteira. Não se preocupou. Com certeza teria caído no banco do carro, como sempre acontecia quando usava aquela calça verde musgo. Enquanto batia as mãos nos bolsos procurando alguma nota perdida, ou moedas do troco da manhã, pensou que não sabia porque ainda usava aquela calça, cuja cor não era das suas preferidas e o pano estava surrado pelo tempo, desbotado de tantas lavagens, ou antes, sabia sim: sentia-se confortável nela, era das poucas que se ajustava bem, não apertava no cós como as demais (e, maior vantagem não existia, podia tirar direto do varal e vesti-la sem se dar ao trabalho de levar ao ferro de passar, o que não era muito de seu costume, pois acreditava que o próprio uso se encarregaria de desamarrotá-las – hipótese em que teimava mesmo que os resultados refutassem a olhos vistos; porém, para seu espírito mais distraído do que prático, isto não era um problema). Sentiu algumas moedas e tirou-as com as pontas dos dedos, uma a uma, transferindo-a para a mão esquerda: dez centavos, cinco centavos, dez centavos, vinte e cinco centavos, outra de vinte e cinco centavos, mais uma de cinco centavos, uma de dez centavos, outra de cinco. Enfiou a mão mais fundo no bolso, apalpou novamente os demais. Era tudo. Entregou as moedas ao balconista.
O balconista era um homem magro e tão alto que era possível jurar que aquele balcão feito quase todo de vidro e com portinholas e tampão de madeira (no qual ele espalhou as moedas depois de as ter virado com um movimento rápido e barulhento semelhante ao de um jogo-de-bafo) fora feito sob medida para ele – os clientes mais baixos chegavam a ter de levantar as pontas dos pés para olhar inteiramente a extremidade do lado de dentro. Os mais comedidos nas gracinhas diziam que da casa de Seu Dedé – assim os poucos próximos chamavam ao balconista – até o estabelecimento costumava-se levar vinte minutos de longa caminhada, mas para o “Pernalta” – como o apelidavam na surdina os menos discretos – bastavam duas pernadas; outros, mais atrevidos e maliciosos, diziam que quando partisse dessa para melhor ao invés de um ataúde iriam descer-lhe os sete palmos dentro do próprio balcão, que paletó de madeira nenhum lhe serviria – e por extensão dessa piada de muito mal gosto e de péssimo agouro, quando saíam de casa pouco antes do almoço para “abrir o apetite”, como se dizia naquele tempo, avisavam as esposas que iriam “molhar o bico na budega do Branca de Neve”. Nada disso escapava ao seu conhecimento, mas ele, ainda que se se importasse (nunca viríamos a saber), jamais esboçara qualquer reação ou protesto.
Metódico, o balconista primeiro separou as moedas pelos valores; depois passou-as a contar, balbuciando os cálculos que fazia mentalmente.
− Está faltando cinco centavos – afirmou com um tom seco na voz, sem levantar os olhos, enquanto cofiava as pontas do bigode.
− Não senhor! Faltam apenas quatro centavos. – respondeu o homem da calça verde musgo.
− Pois sim. Que seja. Você precisa completar. O caixa não pode ficar negativo –, retrucou o balconista, ainda sem se dar ao trabalho de levantar a cabeça, enquanto pegava a tampa de uma caneta esferográfica que estava sob o balcão e passava a coçar um dos ouvidos.
– Ora, mas o senhor não vai fazer caso de quatro centavos… ou vai? Porque, se fosse o contrário, sabe…
Numa expressão que revelava uma certa contradição em seu humor, e sem dizer uma palavra, o balconista arcou as sobrancelhas grossas e agrisalhadas e em seguida franziu a testa; com um peteleco jogou a tampa da caneta para o lado e, segurando o pacote com uma das mãos junto ao peito e com a outra esticada, levantou e abaixou rapidamente os dedos, por três vezes. Ao observar esta cena, um rapaz levemente estrábico e uma moça pálida, que seguiam na fila de mãos dadas, olharam um para o outro e trocaram risinhos espontâneos, pois a cena lhes remeteu a um filme que haviam assistido no cinema na noite anterior.
A fila crescia e, junto com ela, a impaciência dos que aguardavam. Naqueles breves segundos, os clientes pareciam ter a sensação de que estavam meses à espera de serem atendidos e, a princípio, na forma de cochichos e depois em tons que não deixavam dúvidas do que estavam palestrando, começaram a comentar a situação entre si.
O da calça verde-musgo coçou a nuca e tornou a vasculhar os bolsos. Pensou em pedir que o balconista o aguardasse ir até o carro buscar sua carteira, mas diante do crescente burburinho, desistiu da ideia.
− Vamos, meu filho, o arroz está no fogo… – reclamou quase para si mesma uma senhora de cabelo com meio-coque e trajando um vestido de estampa cujo corte lembrava o de uma cortina de sala-de-estar.
− Ora, ora, deve estar achando que só tem ele para ser atendido. – respondeu o senhor de óculos com aros tão redondos quanto as próprias bochechas, em tom baixinho e esticando o pescoço em direção à senhora do meio-coque, que estava logo à sua frente.
Usando uma camiseta regata branca muito apertada para sua barriga avantajada e que também contrastava com o clima frio, um barbudo que acabara de entrar na fila e mal sabia o que estava acontecendo, decidiu esquentar o tempo e, batendo palmas compassadamente, soltou uma voz forte e grave que inundou o ambiente e teria afogado todos os presentes, se ela fosse a ressaca do mar, cujas ondas quebravam nas areias, para lá do outro lado da rua.
− Como é? Como é que é? É pra hoje ou pra amanhã?!
Com um Walkman preso à cintura e um fone de ouvido que tocava uma música bastante ruidosa, o próximo da fila parecia selecionar, de dentro de uma pochete volumosa e colorida, uma fita para substituir a que estava chegando ao fim. Não que não tenha percebido o que se passava, mas era o único que permanecia numa tranquilidade que beirava a indiferença. Às vezes olhava para um lado, olhava para o outro, olhava para trás, talvez observando o movimento ou à espera da chegada de alguém; às vezes puxava um pouco mais para baixo a aba do boné. Certamente estava ocupado com outros pensamentos.
O que estava em atendimento mais uma vez afundou o quanto pode as duas mãos, como se tentasse entrar com o corpo inteiro dentro dos bolsos da calça. Para seu alívio repentino, sentiu no pequeno bolso um corpo redondo, frio e metálico; ficou feliz, pois era a tábua de salvação que precisava naquele mar de vergonha no qual estava se afogando ao ser atirado aos tubarões pelo homem do vozeirão, que além de tudo tinha jeito de marujo – ao tirar do bolso, constatou que era a medalhinha de Santo Onofre, que naquele dia guardara no bolso, pois sua corrente havia quebrado.
Sem dizer uma palavra, virou as costas e saiu, sob olhares acusadores, deixando para trás o balconista com o pacote nas mãos e os noventa e cinco centavos em cima do balcão.
[M.S. – Julho de 2018]
Memórias de coisas que não aconteceram
Lembranças que tive
de vidas que não vivi
e ainda assim tão reais
que posso sentir:
O sabor da fruta
O cheiro da flor;
A terra morna e úmida
sob os pés descalços;
O toque dos raios de Sol
O calor no rosto;
Um beijo, um gosto
– seu gosto.
[M.S.]
Duas tribos
Ela era tão sã e séria que as meninas a invejavam, os meninos a temiam e os adultos lhe duvidavam da idade. Não ter uns parafusos a menos lhe fazia uma falta; um pouco de maluquice lhe faria bem…
Mas aquele verão que estava se fechando para os princípios das águas marcianas seria marcado por muitos contrastes, alguns desassossegos e outros contratempos, a começar pela chegada daquela que em segredo apelidamos de “Sombra”, em contraposição da que um dia fora levada às pressas à administração central e jamais retornou, para nós desaparecida desde então pois, quando perguntávamos, nos respondiam simplesmente com um olhar silenciador.
Sei que algo havia se quebrado – sem recuperação se fora, irrecuperável ficara. De sorte que naquele final de estação, quando uma partiu e a outra chegou – uma sem dar tempo de levantar poeiras e outra sem dar-lhes tempos de assentar –, naquele final que prenunciava novos inícios, velhas e novas idades se cruzando em um cubículo que mal cabiam trinta e quatro mesas, dezessete assentos e quase o dobro de pessoas a lhes ocupar, muitas histórias aconteceriam e nenhuma seria contada – a não ser as histórias ocorridas entre frações de segundos e que, não fosse por capricho do destino e da imaginação que as preservaram na memória, teriam passado desapercebidas ou não teriam sido imaginadas.
Pois é sabido por todo mundo, inclusive por aqueles que fingem não saber: nenhuma história tem mais força e nenhuma é mais real que a história inventada, porque esta cabe em qualquer palma da mão, desde a mais áspera até a que nunca tocou no cabo de uma enxada ou de uma vassoura, nem mesmo quando criança, numa de brinquedo, quando brincava…
Imagens em movimento
palavras plumagens películas breves passaram por mim e eu, em sono, leve arrefeci mole, em pluma, mambembe plantei sonhos sonhei assanhei senhas foram lançadas ao mar e ao nada, nadei [M.S.]
2018
Prometo não dizer nunca;
e de prometer jamais me contrariar
- nunca antes, nunca depois, sempre agora...
Um instante preso dentro de uma garrafa
opaca e sem tampa;
Um instante pronto para ser bebido
até a última gota,direto do gargalo
para a garganta.
Prometo escolher só as palavras erradas
- as mais rotas, irregulares e inexatas
Para que todos os sentidos sejam possíveis,
Para que nenhuma palavra
seja sentida, mesmo que linda
e tudo seja incompreensível
e ao mesmo tempo cristalino
como o brilho de uma sinapse
em seu ápice,
no instante em que finda.
Prometo não dizer prometo
e não arrancar da pele a flor,
à flor da pele,
quando exausto,
num silêncio incauto e ao infinito,
soltar um grito em série.
Prometo não dizer mais nada
Prometo não guardar segredo
e ainda (o que à memória agrada)
- prometo não esquecer do medo.
[M.S.]
Manifesto: Somos Todos Educadores!
Do blogue Somos Todos Educadores
*
Professor, membro da equipe gestora, auxiliar em educação, oficial de escola, inspetor de alunos, porteiro, zelador escolar, auxiliar de limpeza, cozinheiro, profissional das equipes técnicas (orientador pedagógico, fono, psico, fisio etc)… Todos que trabalhamos nas escolas, envolvidos diretamente no processo de ensino ou em seu apoio e viabilização, somos responsáveis pela qualidade da educação das crianças, jovens e adultos usuários das redes de ensino.
Na efetivação do trabalho dos professores, das professoras, viabilizado e apoiado pelos demais trabalhadores e trabalhadoras da educação escolar, o ensino se concretiza; mais que isso, o processo educativo se complementa na relação e nos cuidados que cada profissional da educação estabelece entre si, com as famílias e com os educandos.
Ensinar, educar e cuidar são indissociáveis, pois fazem parte de um mesmo processo, que é o da formação dos seres humanos para a vida em sociedade. Neste sentido, independente do nosso cargo, no trabalho escolar exercemos função inerentemente educativa.
SOMOS TODOS EDUCADORES – e como educadores que somos, comprometidos com a qualidade da educação, lutamos por melhores condições de trabalho e de aprendizagem, pelo direito de todos à valorização profissional, à salários dignos e condizentes com nossas responsabilidades educativas, à formação em serviço, por planos de carreira que possibilitem concretamente a todos educadores, a todas educadoras, evolução funcional e salarial.
Este espaço virtual se apresenta como uma ferramenta dessa luta, contra o processo de desmonte da educação pública levado à cabo pelos governos federal, estaduais e municipais que ano após ano diminuem os investimentos em educação, impõem retrocessos aos currículos, retiram direitos dos trabalhadores, privatizam e terceirizam o serviço público.
NENHUM PROFISSIONAL FORA! NENHUM DIREITO A MENOS! SOMOS TODOS EDUCADORES!!







